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Mais de 2.000 alunos retornaram às aulas

Quarta-feira, dia 18, foi dia de retornar à rotina escolar. Em Arroio do Sal, mais de dois mil alunos voltaram às aulas, carregando em suas mochilas muito mais do que material escolar: saudades dos colegas, vontade de aprender e muitas expectativas para o ano letivo que se inicia.

Para muitos, o início do ano letivo é sinônimo de organização. Para outros, é recomeço. Para os alunos, é reencontro. E para quem vive o dia a dia da escola, é mais uma oportunidade de fazer a diferença.

Bastidores da rede

Enquanto os estudantes reencontram amigos e professores, nos bastidores a rede municipal inicia o ano com números expressivos e planejamento estruturado.

Na Rede Municipal de Arroio do Sal são cinco escolas de Ensino Fundamental, duas de Educação Infantil e uma previsão orçamentária de R$ 35 milhões destinados à Educação em 2026. O ano letivo iniciou com 2.247 alunos matriculados, e a expectativa é de crescimento nas próximas semanas, especialmente com a ampliação de salas na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Bem-Me-Quer, que deve praticamente zerar a fila de espera na Educação Infantil.

Além dos estudantes, a rede conta com uma estrutura de quase 400 profissionais: são professores dos anos finais, dos anos iniciais e da Educação Infantil, além de atendentes, monitores, merendeiras, serventes e equipe administrativa. Em 2026, o diferencial está no início do ano com o quadro praticamente completo -situação diferente do ano anterior, quando avia defasagem de profissionais no começo do calendário escolar.

Para além dos dados, há uma rede que se movimenta com foco definido: qualificar o ensino e fortalecer a inclusão.

Formação como prioridade

Quando há valorização do professor, as consequências aparecem na sala de aula. É nessa lógica que, desde 2025, a Secretaria Municipal da Educação aposta na formação pedagógica continuada.

“Daremos continuidade ao que iniciamos no ano passado e nas coisas boas que são feitas ha mais anos”, afirma o secretário de Educação, Jader Medeiros, e acrescenta: “tivemos um feedback bem positivo e resolvemos dar sequência. Faremos capacitações por blocos, pensando na demanda dos professores para ajudar a solucionar.”

As formações seguem organizadas por etapas: Educação Infantil, Anos Iniciais e Anos Finais recebem capacitações específicas para suas realidades. Sempre que possível, os encontros são dentro da carga horária dos profissionais.

Na área da Educação Especial, o cuidado é ainda mais direcionado. Professores, atendentes e monitores participam de oficinas práticas, voltadas para situações reais do cotidiano escolar.

Inclusão

Em uma rede onde o número de alunos com laudo chama atenção, 150 apenas na Escola de Ensino Fundamental (Emef) Leonel Brizola, a inclusão deixou de ser apenas discurso para se tornar planejamento estruturado.

A coordenadora de Educação Especial e Inclusiva, Ana S. Weber, destaca que a demanda tem crescido em todo o Litoral Norte. Ainda assim, segundo a equipe, Arroio do Sal se encontra à frente de outros municípios da região, tanto no atendimento quanto na oferta de formação específica.

O trabalho envolve professores, atendentes e monitores, que recebem qualificação para acolhimento dos alunos neurodivergentes. O objetivo é garantir inclusão com responsabilidade, acolhimento e preparo técnico.

Alfabetização: meta clara

A alfabetização também ganha destaque. O Programa Estadual de Apoio à Alfabetização, o Alfabetiza Tchê, será mantido. A meta é clara: alfabetizar todos os alunos, ou no mínimo 80%, até o final do segundo ano.

Nesse mesmo sentido, o fortalecimento da base começa ainda na Educação Infantil, com o programa Leitura e Escrita na Educação Infantil (LEEI), iniciativa do Ministério da Educação (MEC).

O projeto, iniciado no ano passado, envolve professores do pré-1, pré-2 e agora também do maternal, ampliando a formação específica. A lógica é simples e estratégica: fortalecer a base para garantir o futuro.

Investimentos na estrutura

Para 2026, a parte estrutural também traz novidades. A Emef Professor Raimundo Fernandes de Oliveira será ampliada, com quatro novas salas de aula e ampliação do refeitório. Ainda neste ano, a Emef Leonel Brizola receberá cercamento de muro e há previsão de futura ampliação, possivelmente para 2027.

O orçamento previsto para 2026 é de R$ 35 milhões e deve contemplar melhorias estruturais, projetos elétricos -fundamentais para futura instalação de ar-condicionado e adequações tecnológicas- além da continuidade das formações pedagógicas.


“Eu sou professor e estou como secretário”

Antes de ser gestor, ele é professor. E faz questão de repetir isso. O secretário municipal de Educação de Arroio do Sal, Jader Medeiros, resume sua atuação à frente da pasta com uma frase que carrega identidade: “Eu sou professor e estou como secretário.”

Para ele, a diferença começa quando quem está na sala de aula percebe que não está sozinho. “Quando o professor vê que há uma movimentação da Secretaria em direção às necessidades reais da escola, isso traz respaldo. Ele entende que tem alguém junto com ele”, explica.

Para Jader, 2025 foi um ano de triagem, de olhar para o que já funcionava e ajustar o que precisava melhorar. Não se tratava de romper com o passado, mas de fortalecer o que dava certo e reorganizar prioridades.

Já 2026 começa com mais tranquilidade. O quadro de profissionais iniciou praticamente completo, diferente do ano anterior, quando a rede enfrentou defasagens no início do calendário escolar.

O legado…

Questionado sobre como gostaria de ser lembrado ao final da gestão, o secretário responde: “sou professor e assumo a secretaria com a responsabilidade de atender a minha categoria. Se eu pudesse deixar um legado para meus colegas de forma orçamentária seria o ideal mas sabemos que existem outras questões que não tornam possível hoje.”

Ele reconhece que questões orçamentárias são desafiadoras, mas acredita que é possível avançar em outras frentes. Dessa forma, têm três objetivos claros:

– Estrutura física adequada

– Qualificação pedagógica

– Inclusão efetiva

“Se ao final dos quatro anos todas as escolas estiverem com a parte elétrica reformada, com melhor estrutura tecnológica e mais condições de trabalho para os professores, já será um legado.”

Para ele, melhorar o espaço físico também é melhorar a qualidade do ensino. Menos alunos por sala, ambientes mais adequados e suporte pedagógico significam melhores condições de aprendizagem.

Uma equipe que também é rede

Além do secretário, participaram da construção desta reportagem:

  • Ana S. Weber – Coordenadora de Educação Especial e Inclusiva
  • Daniela Dutra Nunes Vieira – Supervisora Pedagógica (Anos Finais)
  • Fernanda Medeiros – Coordenadora de Alfabetização e Anos Iniciais
  • Fabrine Machado – Coordenadora de Educação Infantil

A mensagem final da equipe é simples e direta: todos que assumiram funções na Secretaria vieram com o propósito de fazer o melhor pela educação do município. “Muitos de nós viemos do chão da escola. Sabemos dos desafios. Nosso objetivo é qualificar a educação e deixar algo que permaneça.” Eles reconhecem que nem sempre será possível agradar a todos, mas garantem que a intenção é clara: manter o que funciona, melhorar o que precisa ser ajustado e trabalhar para que alunos e professores tenham melhores condições todos os dias.

Mensagem às famílias:
o falar diretamente com os pais, o tom é de diálogo. Jader reco-nhece que o setor público enfren-ta burocracias que, muitas vezes, atrasam projetos e geram ansiedade. Ainda assim, reforça que há trabalho acontecendo nos bastidores.

“Peço um pouco de paciência. A gente está trabalhando. E a Secretaria está de portas abertas”, destaca e reforça: “a maneira mais prática de resolver as coisas é conversando.


Na mochila, expectativas para o novo ano…

Para a estudante Helena Fontana da Silva, o início do ano letivo carrega um significado especial. Depois de 10 anos na Emef Aracy Gomes Valim, 2026 marca seu último por lá. “Eu estava animada para o volta às aulas, pois é meu último ano na escola e sinto que estou fazendo várias coisas pela última vez”, destaca. Helena conta que gosta quando, já no primeiro dia, os professores explicam como será a dinâmica das aulas e apresentam os conteúdos do ano. Contudo, o que mais valoriza é o reencontro com os colegas, uma das partes mais esperadas da volta às aulas.

Sua matéria favorita é História, principalmente quando o conteúdo envolve o Brasil. Ela cita o filósofo Edmund Burke para explicar seu interesse: “Um povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la.” Neste ano, quer se dedicar mais a Ciências e Inglês, disciplinas em que encontrou mais dificuldade no ano passado.

Helena já pensa no futuro: pretende cursar Magistério e ser professora enquanto faz faculdade. Depois, quer se formar em Direito. Seu principal objetivo em 2026 é manter boas notas e fortalecer o hábito da leitura.

A trajetória de Helena se entrelaça com a da mãe, a professora Roberta Fontana, que integra a rede municipal há 19 anos. Com 26 anos de carreira, Roberta já atuou na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e esteve por uma década na direção da própria Aracy.

Em 2026, assume um novo desafio: dividir sua carga horária entre a Educação Infantil na Aracy e as aulas de Língua Portuguesa na Emef Leonel Brizola. “É um desafio, mas estou animada e realizada”, compartilha. Após dez anos fora da sala de aula, ela destaca o quanto o cenário mudou e exige atualização constante. “Muita coisa mudou. Eu precisei me reciclar, adaptar minhas aulas”, conta.

Entre os principais desafios atuais, aponta a inclusão: “a quantidade de laudos aumentou bastante e o desafio é conseguir incluir esses alunos, fazer com que participem e se sintam parte da turma.” Na fala, não há queixa. Há consciência. Há também afeto. Ela se emociona ao falar dos pequenos que pedem colo, dos adolescentes que retornam com um abraço, do vínculo que se constrói no cotidiano.

Na primeira aula deste ano, recebeu um retorno que animou: “Eles disseram que gostaram muito, pois foi uma aula mais dinâmica.” Por fim, deixa um desejo simples para os alunos, inclusive para a filha: “que tenham um ano maravilhoso. Que se dediquem e participem.”

Entre a estudante que se despede do Fundamental e a professora que retorna à sala de aula, há algo em comum: ambas acreditam que a escola é mais do que um espaço. É lugar de formação, de memória e de futuro.

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