Encontro promovido pelas vereadoras da Casa reuniu dezenas de mulheres, no plenário, na última terça-feira
A Câmara de Vereadores de Arroio do Sal foi palco, nesta semana, de um encontro especial dedicado às mulheres do município. O evento, organizado pela presidente do Legislativo, Vera Rejane Braga dos Santos, e pela vereadora Elizandra França Bittencourt, reuniu moradoras para um momento de conversa, acolhimento e troca de experiências.
O encontro contou com momentos de fala, escuta e acolhimento, reunindo mulheres com diferentes histórias de vida, trajetórias profissionais e vivências pessoais, todas conectadas pelo propósito de fortalecer a presença feminina na sociedade e ampliar os espaços de participação.

Na abertura do evento, a vereadora Elizandra França destacou a importância de discutir a realidade das mulheres e refletir sobre os desafios que ainda precisam ser enfrentados, especialmente quando se trata de violência e desigualdade. A vereadora também chamou atenção para a necessidade de refletir sobre a formação das novas gerações e sobre o papel da família e da comunidade na construção de relações mais respeitosas.
“Precisamos conversar mais sobre respeito e sobre como estamos criando nossos meninos. Igualdade significa reconhecer que homens e mulheres podem compartilhar responsabilidades e ocupar os mesmos espaços.”
–Elizandra França
A vereadora também destacou a importância de ampliar a presença feminina na política local. Atualmente, a Câmara de Vereadores de Arroio do Sal possui nove parlamentares, sendo apenas duas mulheres. Segundo ela, incentivar a participação feminina nas decisões da comunidade é um passo importante para fortalecer a representatividade e ampliar o olhar sobre diferentes realidades. “Gostaria muito de ver mais mulheres ocupando espaços de decisão e participando da política da nossa comunidade”, finaliza.
Além das reflexões sobre participação política, o encontro também trouxe momentos voltados ao autoconhecimento e à valorização das mulheres, conduzidos pela terapeuta Priscila Damascenno, que convidou as participantes a refletirem sobre autoestima, identidade e cuidado pessoal.

O evento também contou com a participação da advogada Gabriela Manetzeder Aires, que compartilhou experiências relacionadas ao enfrentamento da violência contra a mulher e ao trabalho desenvolvido na construção de políticas públicas voltadas à proteção feminina no município.
Para as organizadoras, encontros como esse são importantes para fortalecer redes de apoio entre mulheres e incentivar a participação ativa na construção de uma comunidade mais justa e acolhedora.
Informação e apoio são essenciais para romper ciclos de violência, destaca Gabriela
Durante o evento dedicado às mulheres da comunidade, a advogada Gabriela Manetzeder Aires trouxe reflexões importantes sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no enfrentamento da violência doméstica e na busca por direitos e proteção.
Ela aponta que muitos dos avanços conquistados atualmente são resultado da luta de mulheres que, ao longo dos anos, abriram caminhos para que novas gerações possam ocupar espaços de fala e liderança. Neste sentido, Gabriela lembrou que a criação da Coordenadoria da Mulher em Arroio do Sal foi fruto de um movimento iniciado anos antes de sua implantação em 2023, resultado do trabalho e da mobilização de diversas mulheres da comunidade.
Quando assumiu a função na coordenadoria, no ano da implantação, relatou que enfrentou desafios estruturais para iniciar o trabalho. “No início, eu não tinha sala, não tinha computador. Tinha apenas uma cadeira e muita vontade de trabalhar”, lembra. Apesar das dificuldades encontradas no início, ela destacou que o trabalho desenvolvido buscou fortalecer políticas públicas de prevenção e orientação, atuando em parceria com diferentes áreas do município, como saúde, educação e assistência social.
A advogada também ressaltou que muitas mulheres ainda têm dificuldade em reconhecer situações de violência, já que a agressão não se limita à violência física. “Existem várias formas de violência: psicológica, moral, patrimonial e sexual. Muitas vezes a mulher não percebe que está vivendo uma situação de violência”, alerta. Outro ponto destacado foi o medo e o constrangimento que muitas mulheres sentem ao denunciar, especialmente em cidades menores, onde a exposição social pode dificultar a busca por ajuda.
Para Gabriela, a informação é uma das principais ferramentas para romper esse ciclo e explica: “quando a mulher conhece seus direitos, ela passa a ter mais condições de buscar ajuda e mudar sua realidade.” Ela também reforçou que a transformação social começa dentro das famílias, por meio da educação baseada no respeito e na igualdade. “Se queremos um futuro com menos violência, precisamos ensinar nossos filhos e filhas a construir relações baseadas no respeito”, finaliza.











