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Do litoral gaúcho ao horário nobre: Edu e Renan Valim na trilha da novela das 7

Da inspiração à gestão: Edu Valim transformou a música em negócio

Para o futuro, o desejo de Edu Valim é claro: ser lembrado como um autor relevante, respeitado e capaz de impactar pessoas por meio da música.

Quando Edu Valim começou a escrever suas primeiras músicas, ainda aos 11 anos, em um quarto no litoral gaúcho, não imaginava que, anos depois, ouviria uma de suas composições sendo interpretada em uma novela de alcance nacional. O que nasceu como sonho se transformou em realidade construída com trabalho, persistência e profunda relação com a música.

Natural de Arroio do Sal, Eduardo soma mais de duas décadas dedicadas à escrita. Profissionalmente, são 18 anos atuando como compositor, período em que construiu um repertório vasto e plural. No início, as canções eram autobiográficas, quase um diário musical. Com o tempo, veio a maturidade e a capacidade de criar histórias que misturam realidade e ficção. “O público percebe quando é verdade, quando vem do coração”, afirma.

Paralelamente à composição, Edu e o irmão Renan também dividiram os palcos como dupla sertaneja. “No começo, o objetivo era que nós mesmos cantássemos as músicas”, relembra. O desapego veio aos poucos, quando compreendeu que a canção pode cumprir seu propósito mesmo na voz de outros artistas. Questões financeiras, a grande quantidade de músicas produzidas e o entendimento dos estilos contribuíram para essa virada.

Uma carreira construída com persistência

Ao longo da trajetória, músicas assinadas por Edu foram gravadas por nomes como Matheus & Kauan, Henrique & Juliano, Gustavo Mioto, Jorge & Mateus e Daniel, compondo um catálogo que ultrapassa 500 obras gravadas. “É uma profissão extremamente desafiadora. Para tu entender, quando fomos até a casa do Luan Santana para compor uma música, não tínhamos dinheiro nem para pagar um táxi”, lembra e afirma: “mas tínhamos convicção de que a música nos levaria adiante.”

Por trás da consolidação profissional, houve escolhas difíceis e renúncias familiares. Eduardo lembra que o início da caminhada exigiu abdicar de tempo com a esposa Lisiane e com o filho, Henrique, ainda pequeno, em um período marcado por incertezas e deslocamentos constantes. “Teve fases em que eu precisei viajar muito, ficar longe de casa e abrir mão de momentos importantes. Não foi fácil, mas era a única forma de buscar a realização desse sonho”, relembra.

Segundo ele, o apoio da família foi determinante para atravessar os momentos mais desafiadores. “Nada disso teria sido possível sem compreensão, fé e parceria. A música me levou para longe muitas vezes, mas foi a família que me sustentou emocionalmente para continuar”, destaca. Ao olhar para trás, Eduardo reconhece que cada conquista carrega também o esforço silencioso de quem esteve ao seu lado nos bastidores da trajetória.

Hoje, além de compositor, Edu atua como editor, mentor e empresário artístico. À frente da própria editora, coordena carreiras, desenvolve repertórios e acompanha artistas desde a concepção até o lançamento. “Tudo o que faço é artesanal. Eu me envolvo com as histórias”, explica.

Um sonho que virou trilha sonora

A participação em uma novela da TV Globo marcou um novo capítulo. O convite surgiu a partir de um processo criativo intenso e concorrido, com dezenas de compositores reunidos em imersões musicais. Entre centenas de músicas criadas, Eduardo conquistou espaço com seis composições já selecionadas para a trilha, número que ainda pode crescer. “Ver um personagem cantando uma música tua é fascinante. Não é só a canção, é a profissão sendo representada ali”, reflete.

Olhar para trás e seguir em frente

Ao imaginar o menino de 11 anos que escrevia suas primeiras letras em Arroio do Sal, Eduardo não fala de vaidade, mas de gratidão. “Eu diria para ele acreditar. Não deixar que ninguém diminua o sonho. Tudo isso só aconteceu com muito trabalho, renúncia e fé”, destaca.

Para o futuro, o desejo é claro: ser lembrado como um autor relevante, respeitado e capaz de impactar pessoas por meio da música. “Quero longevidade. Quero continuar me reinventando. Enquato houver música, eu vou estar nela”, promete.

E, mesmo com reconhecimento nacional, o vínculo com as origens permanece. Arroio do Sal segue sendo parte da identidade de quem saiu de uma cidade pequena para escrever histórias que hoje ecoam por todo o Brasil.

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