Fé e sensibilidade: a música que nasce do coração de Renan Valim

Se a música é linguagem, Renan Valim aprendeu cedo que algumas canções são presentes. Natural de Arroio do Sal, o compositor cresceu observando de perto o processo criativo do irmão Edu. Foi ali, entre admiração e silêncio, que nasceu o desejo de também escrever. “Eu via o Du compondo e achava aquilo maravilhoso, mas muito distante de mim”, relembra. Aos 14 anos, entre inseguranças e receios, Renan começou a mostrar suas primeiras composições e encontrou no incentivo do irmão o impulso necessário para seguir. “Meu professor foi meu irmão”, conta com orgulho.
Hoje, aos 32 anos, ele se define como homem na vida e aprendiz na composição. “Tenho sede de melhorar. O aprendizado nunca termina”, afirma. Para ele, o que sustenta a carreira não são os momentos de visibilidade, mas o processo diário.
Entre a técnica e a fé
Renan divide sua produção entre músicas criadas a partir da técnica e aquelas que nascem da fé. “Eu ganhei muitas canções de Deus e sinto que preciso entregá-las”, compartilha. As composições ligadas à espiritualidade, ao amor e à família ocupam um espaço central em sua vida. “Elas vêm simples, verdadeiras. É uma experiência que toca a alma”, explica. Essa visão também orienta escolhas éticas. Renan é firme ao afirmar que não negocia letras que ofendam, banalizem sentimen-tos ou desrespeitem valores. “Acredito que ainda é possível encantar. Fazer música que fale de amor sem baixar o nível. Isso me move todos os dias”, salienta.
Caminho, mercado e essência
Antes da estreia em novela, Renan já havia trilhado um caminho sólido ao lado do irmão, com músicas gravadas por artistas do sertanejo e do pagode. As conquistas abriram portas, mas nunca ditaram o processo criativo. “A gente sempre olhou mais para a música do que para o mercado. A qualidade da canção vinha antes”, conta.
A relação com Goiânia vem de longa data. Desde 2011, os irmãos frequentavam a cidade, até que ela se tornou lar para ele e a esposa Carol no ano passado. O contato com o principal polo do sertanejo trouxe maturidade e visão de mercado, sem apagar a essência. “Não tem como fugir de quem a gente é. A verdade da composição sempre aparece”, reflete.
A música que chegou à novela
A participação na novela veio como surpresa e como presente. Renan não esteve no primeiro processo seletivo no Rio de Janeiro, mas participou de uma segunda etapa, realizada em Goiânia. “Fizemos uma música romântica, sem grandes expectativas”, lembra. A resposta veio em forma de ligação: a música havia sido escolhida e seria interpretada por Daniel. “Eu estava sozinho no trânsito e chorei. Foi um presente de Deus”, relembra. A coincidência com o Dia do Compositor tornou o momento ainda mais simbólico.
O presente que virá
Entre os próximos passos, um projeto ganha destaque: um álbum voltado à fé, reunindo canções que ele sente precisar entregar, com calma e prazer no processo. Mais do que metas individuais, Renan sonha em fazer diferença. “Acredito que podemos ajudar a mudar o mercado. Encantar Encantar de novo. Fazer música que toque o ser humano”, enfatiza.
Arroio do Sal como origem e destino
Antes de se despedir, Renan faz questão de reconhecer quem sempre esteve presente. “A nossa cidade nos abraçou. Um incentivo na rua, um abraço no supermercado, uma palavra simples… isso foi o motor do nosso sonho.” Para ele, Arroio do Sal não é apenas ponto de partida. É chão, casa e identidade. “Para sempre será”, finaliza.









