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SETEMBRO AMARELO: RS registra aumento histórico nas taxas de suicídio e região litorânea acende alerta para a prevenção

Dados do Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) apontam que o Rio Grande do Sul segue entre os estados com as maiores taxas de mortalidade por suicídio do Brasil. Entre 2015 e 2023, a taxa cresceu 47,7%, passando de 10,88 para 16,07 por 100 mil habitantes – o maior valor da série histórica.

Em 2024, foram registrados 1.528 óbitos por suicídio, número parcial que ainda pode aumentar conforme novas notificações sejam investigadas. Cerca de 80% das vítimas eram homens, com maior incidência entre idosos acima de 80 anos, onde a taxa chega a 49,69 por 100 mil habitantes.

Distribuição pelo estado

As maiores taxas se concentram nas regiões de Cruz Alta, Santa Cruz do Sul, Ijuí e Frederico Westphalen. Entre os municípios com mais de 50 mil habitantes, Venâncio Aires lidera com 33,81 óbitos por 100 mil habitantes, seguido de São Borja, Sapiranga e Ijuí.

Apesar das enchentes de 2023 e 2024, os técnicos destacam que os efeitos emocionais de desastres ambientais nem sempre aparecem de imediato. Ansiedade, tristeza e autolesões podem se manifestar com o tempo, exigindo acompanhamento contínuo.

Números no Litoral Norte

A região litorânea também apresenta índices preocupantes.

📍 Torres: Entre 2022 e 2024, o município registrou 36 mortes por suicídio, sendo 33 de moradores locais. O número corresponde a uma taxa média de 23,11 por 100 mil habitantes, bem acima da média estadual (14,5) e da capital Porto Alegre (8,5). Em 2025, até o início de setembro, já foram contabilizadas nove ocorrências – sete de residentes, dois de não residentes que estavam na cidade e dois moradores locais que morreram em outros municípios.

📍 Arroio do Sal: De acordo com registros da Secretaria Municipal da Saúde, os casos foram:

  • 2022: 2
  • 2023: 3
  • 2024: 3
  • 2025: 2 (até setembro)

Além dos óbitos, chama atenção o aumento de violências autoprovocadas – que incluem tentativas de suicídio e autolesões:

  • 2022: 3 notificações
  • 2023: 5
  • 2024: 20
  • 2025: 10 (até setembro)

Esse crescimento mostra a importância da identificação precoce e do fortalecimento da rede de apoio em saúde mental.

Suicídio é multifatorial

Especialistas reforçam que o suicídio não pode ser atribuído a uma única causa. Fatores biológicos, psicológicos, sociais e econômicos se somam, incluindo o isolamento, doenças incapacitantes, perda de autonomia na velhice, além de questões como discriminação, violência e padrões de masculinidade tóxica.

Entre adolescentes, os comportamentos autolesivos – como cortes e queimaduras – funcionam muitas vezes como pedido de ajuda e são considerados sinais de alerta importantes.

Prevenção e promoção da vida

A SES destaca que prevenir exige ações contínuas: desde a atenção primária para identificar sinais precoces, até políticas públicas que assegurem direitos básicos como saúde, educação, moradia e trabalho.

No âmbito estadual, estão previstos dois seminários macrorregionais em alusão ao Setembro Amarelo:

  • 17 de outubro em Santa Cruz do Sul
  • 4 de novembro em Palmeira das Missões

Onde buscar ajuda

Se você ou alguém próximo apresenta sinais de sofrimento psíquico, procure ajuda:

📞 CVV – 188 (atendimento gratuito e sigiloso, 24h)

🏥 Rede de Atenção Psicossocial (CAPS, hospitais e unidades de saúde)

🙏 Iniciativas comunitárias e religiosas que oferecem acolhimento e escuta.

Falar sobre suicídio exige cuidado e responsabilidade. Mais do que números, os dados revelam vidas que poderiam ser preservadas com atenção, empatia e redes de apoio fortalecidas.

🟨 Nota da Redação

Esta reportagem integra a série especial do Portal Conta+ sobre prevenção ao suicídio, produzida em alusão ao Setembro Amarelo. Até o fim do mês, uma sequência de matérias será publicada com informações, entrevistas e reflexões para conscientizar a comunidade sobre a importância do cuidado com a saúde mental e da valorização da vida.

Embora estejamos na reta final do Setembro Amarelo, falar sobre prevenção ao suicídio não se limita a um mês ou a uma campanha específica. A valorização da vida é um compromisso contínuo, que precisa ser lembrado em todas as épocas do ano. O Portal Conta+ reforça que seguirá trazendo informações, entrevistas e dados sobre o tema, indo além do calendário oficial, justamente porque os números seguem sendo atualizados e a necessidade de conscientização permanece urgente.

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