A orla de Arroio do Sal está quase pronta para receber o público na temporada de verão de 2025/2026. Quem passa pela faixa de areia já percebe uma mudança importante na paisagem: os tradicionais quiosques de madeira estão dando lugar aos contêineres padronizados. A transformação não é apenas estética, ela cumpre a Lei n 1926/2010, em vigor desde 2010, atualizada em 2020, que determinou que até 31 de dezembro de 2025 os pontos de quiosques devem passar a funcionar em estruturas de contêineres.
Em uma conversa com a Associação dos Quiosqueiros de Arroio do Sal e empreendedores da orla, o sentimento é de que a mudança representa um marco para a cidade: mais segurança, mais organização, mais conforto para quem trabalha e para quem veraneia. É um passo à frente em relação às demais praias do Litoral Norte gaúcho -uma vez que Arroio do Sal é pioneiro com os quiosques de metal na areia.
Os contêineres mudam a forma como a orla é percebida por quem chega ao município. A presidente da Associação dos Quiosqueiros, Karine Monteiro, destaca que Arroio do Sal está evoluindo e está mudando. “A gente precisa criar uma orla cada vez mais atrativa, mais organizada, visivelmente mais bonita. O turista quer descer na praia e ver tudo certinho, padrão”, explica.

Arroio do Sal na frente
O movimento de Arroio do Sal tem chamado atenção fora da cidade. De acordo com Karine, a Associação já apresentou o projeto da orla com contêineres para autoridades estaduais do turismo.
“Quando a gente mostrou que, neste ano, teríamos 100% de contêiner na faixa de areia, o secretário de Turismo do Estado achou o máximo. Ele pediu contato, disse que queria levar essa ideia para outros municípios”, conta orgulhosa e acrescenta: “nenhuma orla do litoral gaúcho, tem contêiner na faixa de areia. Arroio do Sal foi pioneira. A gente precisa valorizar mais isso aqui dentro, porque lá fora já estão olhando para cá.”
Quiosque não é mais renda extra, é empresa
Com a cidade crescendo, os quiosques também mudaram de papel. Do “extra de verão”, tornaram-se negócios estruturados. “O quiosque é uma empresa. A gente tem boleto para pagar, precisa investir para o pessoal vir”, observa Karine e acrescenta: “não dá mais para pensar em algo de apenas três meses. É negócio o ano inteiro.”
Marcos Matos, quiosqueiro há 15 anos, destaca que a cidade vem crescendo e que é preciso acompanhar, melhorar e estar atento. “Antigamente, o cliente era uma criança. Hoje ele cresceu, o gosto dele mudou, as exigências são outras”, conta e salienta que é preciso acompanhar, pensar no que oferecer, na qualidade do atendimento, no visual.
O crescimento de Arroio do Sal também é percebido na prática. Karine, que também tem um quiosque, conta que de três anos para cá, o movimento aumentou. “O meu primeiro verão foi de um jeito, o segundo já melhorou, e a expectativa para este ano é ainda maior, até porque a previsão é de um verão mais seco. Tem mais construção, mais morador, mais veranista. Para nós, isso gera renda e faz a cidade girar”, analisa.
estrutura segura
Cenira de Fátima Silveira, uma das primeiras quiosqueiras a investir em contêiner, lembra que, por muitos verões, a insegurança fazia parte da rotina. “A casinha de madeira é muito frágil, o meu quiosque foi arrombado várias vezes. Teve temporada em que eu precisava pagar alguém para dormir dentro do quiosque, com medo de levarem tudo”, lembra Cenira.
Com a chegada do contêiner, o cenário mudou. Agora ela fecha e pronto. “Não precisa mais ninguém ficar dentro cuidando, não tem madeirinha para eles tirarem, não entram pelo telhado. É uma garantia de 100% de não ter perda das coisas”, comemora. Cenira observa que o investimento não é pequeno, mas é visto como necessário. “Hoje eu fico tranquila. Quem não mandou fazer, quem não trocou, é porque ainda não sabe o que está perdendo”, compartilha.
Além da segurança, segundo os empreendedores, há ganhos, como: praticidade para instalar na praia, maior espaço, mais fácil para menter, entre outros benefícios.
Da lei ao contêiner: uma transformação planejada e agora definitiva
Mesmo com a grande maioria dos pontos já adequados ao novo formato, ainda existem alguns quiosques que permanecem com estruturas de madeira. Para os quiosqueiros que já fizeram a transição, o desejo é que todos avancem juntos, mantendo o padrão visual e a proposta que Arroio do Sal está construindo para sua orla.
Em contato com a reportagem, a Prefeitura de Arroio do Sal afirmou que está acompanhando a situação e dialogando individualmente com os quiosques que ainda não concluíram a troca. Segundo o servidor Jaime Roberto Gracioli, o objetivo é orientar, esclarecer e construir soluções viáveis, respeitando o trabalho de cada empreendedor.
“Estamos em processo de alinhamento com os quiosques que ainda não realizaram a adequação. A legislação segue vigente até o fim de dezembro, e estamos trabalhando para que todos consigam se ajustar com tranquilidade”, explica Graciolli e reafirma: “nosso interesse é apoiar os empreendedores, garantir uma temporada positiva e manter o bom clima que sempre marcou Arroio do Sal.”
Graciolli destaca que a nova orla é um patrimônio visual, turístico e econômico de todos. Entre os quiosqueiros, prevalece a mesma visão. Eles concordam que quando a praia está bonita e organizada, todos ganham: quem trabalha, quem visita, quem investe e quem volta.
EDITAL ABERTO
A Prefeitura abriu novo edital para concessão de quiosques. Somente o modelo contêiner é permitido e a concessão vale por 10 anos.
Locais disponíveis: Praia da Pérola, Balneário Bom Jesus, Praia Âncora, Centro, Areias Brancas e Rondinha Velha.
Sessão púbica: 23/12/2025 – 14h
Local: Sala de Reuniões da Prefeitura
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