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Quando o corpo acompanha o ritmo do verão

Caminhar à beira-mar, pedalar na ciclovia, ocupar a areia, experimentar um recomeço. O verão transforma a paisagem de Arroio do Sal e também desperta algo interno em muita gente: a vontade de se movimentar.

Para a educadora física Juliana Gruber, esse impulso não é apenas força de vontade. “Biologicamente, no verão nos sentimos mais dispostos. A luz solar influencia o humor, o equilíbrio hormonal e o bem-estar. O corpo quase que implora por movimento”, explica.

Para além da estação, Juliana traz um olhar que acolhe quem começa agora e também quem já tentou muitas vezes e parou. Ela fala com propriedade: já esteve do outro lado. “Eu sou o exemplo vivo das pessoas que entram e saem da academia, que se matriculam em várias atividades e desistem. Eu já paguei e não fui. Por isso, levo muito para o coração os relatos que chegam até mim”, compartilha.

O verão surge, então, como oportunidade, não como cobrança. Para quem manteve atividade ao longo do ano, é continuidade. Para quem está parado, pode ser o primeiro passo. E, segundo Juliana, isso já é muito. “O tempo certo para cuidar do corpo é agora. Mas dentro das possibilidades de cada um. Não existe milagre, existe constância”, reforça.

Cidade convida ao movimento

Em Arroio do Sal, o ambiente favorece escolhas mais ativas. Além da orla, a cidade conta com ciclovias e caminhódromos à beira-mar e na Avenida Assis Brasil, academias ao ar livre em alguns bairros, espaços para esportes de areia, praças e pista de skate.

“O ambiente influencia mais de 50% das nossas decisões diárias”, explica Juliana e acrescenta: “a gente não vai à praia de pilcha, nem a uma formatura de biquíni. O entorno molda o comportamento. Quando estamos em ambientes que favorecem bons hábitos, eles se tornam mais possíveis.”

Com a alta exposição do verão, a comparação corporal também aumenta. Juliana alerta que metas irreais são um dos principais motivos de frustração e desistência. “O problema não é querer resultado” avalia e alerta: “o problema é querer em uma semana o que leva um ano. A comparação gera culpa, dietas extremas, desequilíbrio emocional. O pouco de todo dia leva muito mais longe do que o muito que não se sustenta.”

Ela defende uma mudança de perspectiva: menos punição, mais consciência. “O corpo foi feito para se movimentar. O que sustenta o hábito quando a motivação vai embora é a disciplina”, destaca e salienta: “mas uma disciplina gentil, possível, flexível.”



O hábito que fica

Para Juliana, rotina rígida não se mantém. Rotina estruturada, sim. “A vida precisa caber. O movimento precisa fazer sentido. E, com o tempo, o prazer aparece.”

O convite não é para um verão perfeito, mas para um começo real: “É difícil se exercitar. Mas também é difícil adoecer, depender, não gostar do que se vê no espelho. Você precisa escolher qual difícil quer enfrentar.”


“O pouco de todo dia te leva mais longe do que o muito que não se mantém.”
Juliana Gruber, educadora física



COMEÇAR É POSSÍVEL!

  • caminhar na praia
  • usar as ciclovias
  • praticar esportes de areia
  • usar academias ao ar livre
  • movimentar-se em família

Não precisa começar grande. Precisa começar possível!

PRA ANOTAR:

“Vamos nos exercitar só mais hoje. E, o resto da vida.”

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