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2026 começa agora: Planejamento financeiro é eficiência antes de ser economia

“O problema financeiro das pessoas não está exatamente em quanto elas ganham, mas em como se organizam.” Essa ideia faz sentido e você vai entender nesta reportagem. Afinal, há profissionais com salários altos que vivem endividados, enquanto outros, com rendas mais modestas, conseguem conquistar casa, carro, realizar sonhos e oferecer conforto e segurança à família.

A diferença, na maioria das vezes, não está no valor que entra, mas na mentalidade com que o dinheiro é tratado. Quando cada aumento de renda vira automaticamente uma nova despesa – como por exemplo uma troca de carro sem planejamento-, o avanço financeiro nunca acontece. Por outro lado, quem planeja, organiza e aprende a guardar parte do que ganha, mesmo que aos poucos, constrói um caminho mais seguro, ainda que ele exija paciência e constância.

Para compreender essa dinâmica e mostrar que o planejamento financeiro pode e deve ser mais leve e possível, o Conta+ conversou com Lucas Cardoso Tramontin, diretor de Riscos e Controles do Sicoob Credija. De forma simples e direta, ele explica que a base de um ano financeiramente equilibrado está muito mais ligada à mentalidade e às escolhas do dia a dia do que, necessariamente, ao valor da renda. A seguir, Lucas compartilha orientações práticas para quem deseja começar 2026 com mais organização, tranquilidade e consciência financeira.

O melhor momento para começar é quando a decisão acontece

A virada do ano costuma despertar o desejo por mudanças. Um ‘ano novo’, com atitudes novas. Contudo, na prática, organizar a vida financeira não depende de datas especiais. O mais importante é decidir mudar e, principalmente, colocar o plano em prática. Muitas promessas feitas em dezembro se perdem em janeiro justamente porque não foram acompanhadas de ações simples e possíveis.

Por onde começar?

Para quem sente que precisa mudar, mas não sabe por onde iniciar, Lucas explica que o primeiro passo é ganhar consciência da própria vida financeira. Algumas perguntas ajudam nesse processo:

Onde estou hoje? Quanto devo, quanto gasto, quanto ganho, o que já conquistei?
Onde quero chegar? Quais são meus planos para o próximo ano, para cinco anos, para o futuro?
Como vou chegar lá? Quanto preciso guardar por mês? Que decisões precisam ser tomadas agora?

Nesse momento, é importante não ignorar a realidade. “Sabendo como estou e onde quero chegar fica mais fácil de criar minhas ações”, analisa e exemplifica: “se desejo trocar de carro ou comprar uma casa quanto preciso guardar por mês. Não desconsidere financiar uma parte do carro ou da casa, pois o financiamento pode ser a forma mais propicia de adquirimos nossos bens de valores maiores, principalmente uma moradia que tem um valor muito alto. Mas, assuma parcelas, sempre, com muita responsabilidade.” Já quem enfrenta dívidas precisa priorizar a regularização daquelas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial.

Olhar para as contas dói, mas liberta

Muitas pessoas evitam olhar para as próprias contas porque encarar a realidade nem sempre é confortável. Com isso, os problemas acabam sendo empurrados para o mês seguinte, criando um efeito acumulativo, difícil de controlar. “Esse comportamento não acontece só com as finanças; ele também se repete na alimentação, na saúde, entre outros exemplos”, observa Lucas.

Quando finalmente decidem se organizar, outro obstáculo comum aparece: a expectativa por resultados rápidos. Diante dos primeiros tropeços, muitas pessoas acabam desistindo no meio do caminho. O diretor de Riscos e Controles do Sicoob Credija ressalta que a organização financeira não se constrói com atalhos. Ele destaca que é natural a busca por soluções rápidas para quase tudo, mas a maioria das conquistas não vem por esse caminho. “Elas nascem do cuidado diário, da constância e da paciência no longo prazo”, reforça e analisa que quando os primeiros obstáculos surgem, é comum que as pessoas se frustrem, desistam e acabem voltando à estaca zero.

Dessa forma, antes de pensar em cortar gastos, é necessário entender o valor que entra quanto o valor que sai. Muitas vezes, o problema não está no cafezinho ocasional ou no chocolate, mas na repetição diária sem controle. Lucas avalia que o equilíbrio costuma ser mais eficiente do que cortes extremos. “Os pequenos prazeres são importantes para manter o planejamento”, acrescenta.

Janeiro, despesas esquecidas e renda variável

O início do ano costuma apertar o orçamento de muitas famílias. Compras feitas em dezembro, material escolar, impostos, férias e outras despesas sazonais acabam se acumulando e surpreendendo quem não se planejou. Antecipar esses gastos no orçamento e, sempre que possível, utilizar rendas extras como o 13º salário. ajuda a tornar a virada do ano mais leve e evita apertos desnecessários nos primeiros meses.

Essa atenção precisa ser ainda maior para quem vive de renda variável ou depende da temporada, realidade comum no litoral. Nesses casos, não é possível basear o planejamento apenas nos meses de maior faturamento. Organizar o orçamento considerando períodos de alta e baixa temporada é o que garante mais estabilidade ao longo do ano e previne dificuldades futuras.

Família e negócios também precisam de planejamento

O cuidado com o dinheiro não se restringe à renda individual. Quando falamos de famílias, o planejamento não deve ficar concentrado em uma única pessoa. Adultos precisam participar ativamente das decisões financeiras e crianças podem, aos poucos, aprender sobre dinheiro. O diretor destaca que caminhar juntos facilita o alcance dos objetivos e fortalece o senso de responsabilidade compartilhada.

O mesmo vale para quem empreende. Segundo o especialista, separar as finanças pessoais das finanças do negócio é fundamental. Misturar tudo impede entender se a empresa realmente gera lucro e compromete o controle do fluxo de caixa, o que muitas vezes leva à necessidade de crédito para cobrir falhas de organização.

Organizar aos poucos é possível e necessário

Ninguém sai das dívidas de um dia para o outro, assim como ninguém constrói uma reserva financeira de uma vez só. Lucas conta que o segredo está em fazer um pouco todos os dias. Para ele, planejar, agir com constância e buscar orientação quando necessário tornam o caminho mais leve e possível. Por fim, ele destaca que planejar não é sobre deixar de viver. É sobre viver com mais tranquilidade hoje e no futuro.






Faça seu planejamento e execute suas ações com paciência e constância. As soluções “mágicas”, os “atalhos” normalmente dão errados, pois no final a solução é planejar e todo dia fazer um pouquinho seja para guardar dinheiro ou para solucionar as dívidas.

Lucas Tramontin, diretor de Riscos e Controles do Sicoob Credija.


Educação Financeira, em parceria com o Sicoob Credija

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