Há restaurantes que servem comida. E, há restaurantes que servem memórias. Com certeza, a Taberna do Tato, que no último sábado, dia 15 de novembro, comemorou 24 anos, pertence à segunda opção. Sabe por quê?
No Tato você saboreia receitas que atravessam gerações, temperadas com amor e, também, consegue sentir a força da história, profundamente afetiva, que sustenta cada prato servido ali. História essa que segue sendo escrita por Régis Oliveira.
Quando questionado sobre a primeira lembrança desses 24 anos, Régis, atual responsável pela casa, não hesita: “A primeira lembrança que vem é do meu pai e da minha mãe.” Foi o pai quem, lá no início dos anos 2000, vendeu sua parte no hotel da família para investir no sonho de ter um restaurante. Pouco tempo depois, ele faleceu e coube à mãe, dona Dalila, seguir acreditando na semente que o marido havia plantado. “Minha mãe continuou com o sonho. É por causa deles que estamos aqui hoje”, compartilha.
Hoje, duas décadas depois, o sentimento é de colheita. Uma colheita feita de trabalho, resiliência, fé e, claro, de muitas fases. Fases essas que Régis faz questão de lembrar…
Quando a Taberna virou memória afetiva
Não foi de uma vez só. Foi no dia a dia. Foi nos clientes que voltavam. Nos que indicavam. Nos que chegavam com filhos pequenos e hoje chegam com os netos. “Teve gente que almoçava aqui quando os filhos tinham dois anos. Hoje eles vêm com os netos. Isso emociona! A gente passa a fazer parte da história deles”, conta.
É assim que um restaurante deixa de ser só um lugar de comer. Vira um marco, um ponto seguro, um pedaço de vida compartilhado.
Os dias difíceis e a força que fez continuar
Nem sempre foi simples. Houve um tempo em que o trabalho era grande e o retorno, pequeno. “Várias vezes a mãe pensou em parar”, lembra Régis. Mas algo sempre chamava de volta: a fé, a persistência, a intuição de que aquela história ainda tinha muitos capítulos a serem escritos. “Minha mãe enxergou a Taberna lá na frente dando certo e isso deu força”, compartilha.
Hoje, cada vez que ele olha da porta e vê as mesas todas ocupadas, sente o mesmo arrepio que sentia lá no começo: “É quando eu sei que estamos no caminho certo.”
O sabor que virou assinatura: a violinha
Se existe um prato que carrega a história da Taberna, Régis acredita que seja a violinha. Ela está lá desde sempre – crocante, sequinha, com tempero na medida certa. Ela foi responsável por levar o nome do restaurante para além da cidade. “Violinha tem em vários lugares mas do jeito da Taberna, não tem”, comemora. E ela não está sozinha! Assim como a violinha, outros pratos são preparados com a mesma dedicação de 24 anos atrás. “A rabada, língua com ervilhas, dobradinha, carne de panela, são a mesma receita até hoje”, conta.
E parte dessa fidelidade tem nome: Dona Celina.
A cozinheira que está há 23 anos no restaurante é a responsável por manter o tempero na medida certa. “Ela é nossa joia. Muito do que somos hoje é mérito dela”, enfatiza Régis.
O que a Taberna aprendeu com 24 anos de portas abertas
A resposta vem forte, como quem viveu muito para poder dizer: “Sem trabalho, sem fé e sem colocar Deus à frente, não se chega a lugar nenhum.”
A redação ousa a acrescentar que, também, a Tato aprendeu sobre gente. Sobre acolher, ouvir, partilhar.
Gratidão: o coração dos 24 anos
Régis tem muito a agradecer. Alista é grande, porque amor nunca cabe em poucas linhas. Mas, ele destaca que, primeiramente, tudo foi possível graças a Deus. “Quando Ele está a frente, tudo vai dar certo.” Em seguida, o obrigado vai para a mãe, dona Dalila, que acreditou primeiro. Régis, ainda, gradece a esposa, Marga, que topou o desafio de continuar o legado. O padastro Luís Henrique que acreditou e fortaleceu o caminho. Dona Celina e toda a equipe. E, claro, os clientes: “Sem eles, nada disso seria possível.”










