Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 77,8% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos está atualmente sujeita a algum tipo de tarifa adicional. A análise considera todas as medidas adotadas pelo governo americano desde o início de 2025, incluindo sobretaxas de 10%, 40% e a aplicação da Seção 232 do Trade Expansion Act — que impõe alíquotas específicas de 25% e 50% para produtos como aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças.
De acordo com a CNI, 45,8% das exportações brasileiras estão sob tarifas de 40% ou 50% direcionadas especificamente ao Brasil. Metade da pauta exportadora — que movimentou US$ 17,5 bilhões em 2024 — enfrenta a tarifa máxima de 50%.
Setores mais atingidos
Os setores com maior número de produtos afetados pela sobretaxa combinada de 50% são:
- Vestuário e acessórios (14,6%)
- Máquinas e equipamentos (11,2%)
- Produtos têxteis (10,4%)
- Alimentos (9,0%)
- Químicos (8,7%)
- Couro e calçados (5,7%)
Os metais (aço, alumínio e cobre), sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta e também estão sujeitos à tarifa adicional de 50%.
Produtos isentos
As isenções se concentram principalmente na indústria extrativa, responsável por 68,9% das exportações livres de sobretaxas, com destaque para petróleo leve e pesado. Na indústria de transformação, o setor de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis representa 21,5% do valor isento.
Há ainda produtos com isenção condicionada, como aeronaves e itens destinados à aviação civil, que podem ficar livres da tarifa adicional de 40% mediante comprovação de uso.
Propostas da CNI para reduzir impactos
Para mitigar os efeitos das tarifas sobre a indústria nacional, a CNI apresentou ao governo federal oito medidas prioritárias, entre elas:
- Linha de financiamento emergencial pelo BNDES, com juros entre 1% e 4% ao ano.
- Ampliação de prazos de operações de câmbio de exportação de 750 para 1.500 dias.
- Prorrogação de prazos de pagamento de financiamentos do comércio exterior.
- Adoção de direitos provisórios antidumping.
- Adiamento por 120 dias do pagamento de tributos federais, com parcelamento sem juros.
- Pagamento imediato de ressarcimentos de créditos tributários.
- Ampliação do Reintegra para alíquota de 3%.
- Reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE) com aperfeiçoamentos.
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige coordenação entre governo e setores produtivos:
“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas.”
Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI) – levantamento com base em dados da United States International Trade Commission (USITC).









