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Dia sobre conscientização ao Autismo nos convida ao debate

Especialistas, educação e famílias apontam avanços, dificuldades e a importância de uma sociedade mais inclusiva.

Estipulado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, propõe mais do que visibilidade: convida à compreensão. E, é claro, o Jornal Conta+ amplia o assunto nesta edição.

Em Arroio do Sal, essa realidade está cada vez mais presente. Com mais de 100 alunos com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede municipal de ensino e dezenas de famílias em busca de atendimento, o tema deixa de ser distante e passa a fazer parte do cotidiano da cidade.

Para entender esse cenário, o Conta+ ouviu a educação, especialista e a Associação de Pais e Amigos Autistas (AMAAS). Confira abaixo e em:

Famílias atípicas: entre a força, o acolhimento e os desafios

Mais de 100 alunos com TEA estão na rede municipal


ENTENDER PARA ACOLHER

Nem sempre o que parece birra é, de fato, birra. Em muitos casos, é uma forma de comunicação que ainda não aprendemos a escutar. E, nesta quinta-feira, dia 2, a data de conscientização do Autismo chama para a reflexão que vai além da informação: passa pelo respeito, pela empatia e pela forma como a sociedade enxerga -ou deixa de enxergar- essas crianças.

“Como nos ensina Paulo Freire, ‘ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens e mulheres se libertam em comunhão’. É nesse reconhecimento do outro, em sua dignidade, que a inclusão começa.”
– Nora Klingelfus

A psicopedagoga e neuropsicopedagoga Nora Klingelfus explica que, apesar do tema estar mais presente nas rodas de conversa, ainda há muito desconhecimento. “Quando escuto alguém dizer ‘hoje em dia todo mundo é autista’, vejo o quanto ainda existe desconhecimento”, observa e explica: “o que aumentou não foi o número ‘de repente’, mas sim o acesso à informação e aos diagnósticos.”

Para a especialista, a forma como o assunto é tratado ainda preocupa, especialmente quando reduzido a estereótipos ou comentários simplistas. Ainda, Nora alerta para o modo como o autismo vem sendo interpretado socialmente. “Hoje vemos dois movimentos perigosos: a romantização, que ignora os desafios reais, e a banalização, que desvaloriza o diagnóstico. Ambos afastam a sociedade de uma compreensão ética e responsável”, destaca.

O autismo não segue um padrão e esse é um dos pontos mais importantes a serem compreendidos. “Tentar padronizar o autismo é um erro sério. Cada criança tem sua forma de sentir, se comunicar e estar no mundo. Quando olhamos para um ‘modelo’, deixamos de enxergar a criança real”, alerta Nora. Dessa forma, ela defende: “precisamos parar de falar sobre e começar a escutar.”

Nora salienta que inclusão não é um favor. Inclusão é um direito. A especialista ainda faz uma reflexão que resume o sentido da conscientização: “Nenhuma criança precisa ser “consertada”. Ela precisa ser acolhida, compreendida e amada em sua essência. Quando mudamos o nosso olhar, abrimos espaço para enxergar suas potências, seus modos únicos de ser e de aprender. E é nesse encontro, cheio de respeito e sensibilidade, que nossas práticas se transformam… e, com elas, tudo começa a mudar.”

Questionada sobre o que é ‘ser uma sociedade inclusiva’, Nora explica: “é uma sociedade que não apenas aceita, mas valoriza as diferenças. Que cria condições reais de participação para todos, respeitando ritmos, formas de aprender e de existir. “


O recado é para a família…

O diagnóstico pode gerar insegurança, mas também abre caminhos. “Para algumas famílias, pode vir como um rótulo no início. Mas, quando bem acolhido, se torna um caminho de compreensão, estratégias e acesso a direitos.”

Nora também deixa uma mensagem importante para quem está começando essa jornada:

“É um caminho que pode trazer muitas dúvidas, medos e inseguranças e tudo bem sentir isso. Mas, também, é um caminho de descobertas, de aprendizados profundos e de encontros muito verdadeiros com seus filhos.

Mais do que olhar para características, olhem para seus filhos. Eles não são um diagnóstico, são crianças cheias de possibilidades, que precisam, acima de tudo, de acolhimento, compreensão e amor.

Nenhuma criança precisa ser “consertada”. Ela precisa ser acolhida, compreendida e amada em sua essência. Quando mudamos o nosso olhar, abrimos espaço para enxergar suas potências, seus modos únicos de ser e de aprender. E, é nesse encontro, cheio de respeito e sensibilidade, que nossas práticas se transformam… e, com elas, tudo começa a mudar.”


Para compreender:

O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa desde a infância e pode influenciar principalmente: a comunicação, a interação social e o comportamento. É chamado de “espectro” porque se manifesta de formas diferentes em cada pessoa, com intensidades variadas.

Sinais de atenção:

Nora salienta que alguns sinais podem chamar a atenção, como um atraso na fala, pouco contato visual, mais dificuldade nas interações sociais, comportamentos repetitivos, sensibilidades sensoriais ou um menor interesse por brincadeiras compartilhadas.

É importante lembrar: cada criança tem seu jeito de se desenvolver. Por isso, mais do que se assustar, o ideal é olhar com cuidado, carinho e muita amorosidade e, sempre que houver dúvidas, buscar uma avaliação profissional atenta e respeitosa.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do autismo é clínico, ou seja: baseado na observação do comportamento; na história de desenvolvimento da criança, em entrevistas com a família. No Brasil, os profissionais utilizam critérios do DSM-5. Exames podem auxiliar, mas não confirmam o diagnóstico sozinhos.

NÍVEIS DE SUPORTE

O autismo é classificado conforme a necessidade de apoio:

  • Nível 1: necessita de suporte leve
  • Nível 2: necessita de suporte moderado
  • Nível 3: necessita de suporte intenso

Essa classificação ajuda a orientar o acompanhamento.

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