Associação reúne cerca de 100 crianças e se torna rede de apoio essencial diante da falta de estrutura no atendimento
Em Arroio do Sal, o avanço no diagnóstico do autismo também revelou um outro lado da realidade: o desafio diário enfrentado pelas famílias.
Cerca de 100 crianças estão cadastradas na Associação de Pais e Amigos Autistas de Arroio do Sal (AMAAS). No entanto, nem todas conseguem acesso ao atendimento necessário. “A gente não consegue atender todos. O recurso que recebemos ainda é insuficiente para a demanda”, diz o presidente Gabriel Vargas de Melo.
A AMAAS se mantém por meio de doações e mensalidades, além do apoio de recursos públicos. Para este ano, recorda Melo, estão previstos repasses de emendas dos Vereadores de Arroio do Sal de aproximadamente R$ 300 mil. Ainda, o Executivo supre parte dos atendimentos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e a Assistência Social.
UMA ASSOCIAÇÃO QUE NASCEU DA NECESSIDADE
A AMAAS surgiu há cerca de três anos, a partir da união de pais que enfrentavam as mesmas dificuldades. Antes da criação da associação, muitas famílias precisavam buscar atendimento fora do município. “A gente se deslocava para outras cidades, como Terra de Areia. E, para muitas crianças, esse deslocamento é inviável, pois não suportam viagem longas”, compartilha o presidente.
O que começou com 13 famílias hoje reúne cerca de 100 -número que ainda pode ser maior, já que nem todos estão cadastrados. “A associação cresceu muito e deu certo”, comemora e conta: “hoje já temos algumas terapias conquis-tadas via Ministério Público.” No entanto, o que os pais ainda buscam evoluir é a questão de um local público que possa atender de forma especializada as crianças com TEA.
Atualmente, cerca de 30 crianças recebem atendimento por meio da associação, com terapias como:
- Terapia ocupacional
- Fonoaudiologia
- Psicologia
- Psicomotricidade
Os atendimentos são viabilizados principalmente por meio de emendas parlamentares. “Sem esse apoio, muitas dessas terapias não aconteceriam”, reforça Melo.
Apesar das dificuldades, a associação tem acumulado avanços importantes. Entre eles: ampliação das terapias, retorno da equoterapia, apoio psicológico para famílias e parcerias com instituições locais. “Estamos muito felizes que graças a uma emenda que vai vir de um deputado vamos retornar com a equoterapia que é uma das mais importantes”, comemora e conta: “muitas crianças entram em crise e saem mais calmas. O cavalo ajuda muito.”
DIAGNÓSTICO É UM OBSTÁCULO
Um dos principais desafios enfrentados pelas famílias é o acesso ao diagnóstico. A ausência de neuropediatra no município dificulta o processo, fazendo com que muitas famílias precisem buscar atendimento em outras cidades. “Hoje, muitas famílias precisam ir até Porto Alegre para conseguir um laudo e uma consulta particular não sai por menos de R$ 600”, conta. Além disso, há casos de crianças que ainda não possuem diagnóstico formal. “Tem muita gente que tem e não sabe. E acaba sofrendo sem entender o que está acontecendo”, salienta.
Melo destaca ainda que a AMAAS atua diretamente no apoio às famílias: cadastro e acolhimento; orientação sobre direitos; organização de atendimentos; e gestão de filas de espera. “A gente acaba fazendo um papel que não deveria ser nosso. A gente ajuda, mas ainda está enxugando gelo”, concluí.
Associação que acolhe é acolhida pela comunidade
Apesar dos desafios enfrentados pelas famílias, o presidente da associação destaca o papel fundamental da comunidade no fortalecimento da causa. Para Melo, o apoio local tem sido essencial para manter os atendimentos e ampliar as ações. “O comércio, o CTG, os vereadores… muita gente ajuda”, comemora Melo e acrescenta: “a comunidade, de modo geral, é bastante engajada com a causa.”
Esse envolvimento se traduz em parcerias, apoio institucional e iniciativas que contribuem diretamente para o funcionamento da associação e para o atendimento das crianças. Ainda assim, Gabriel ressalta que o apoio precisa ser ampliado. “A gente reconhece quem está junto, mas ainda precisamos de mais atenção do poder público”, comenta. Melo aproveita para destacar que, para além da estrutura, o desafio também é social: “ainda falta muita compreensão. Tem barulho, têm ambientes que não são preparados… e isso impacta muito eles.”
Para quem está começando essa jornada, a orientação é clara: “Respira fundo. O diagnóstico não é um carimbo. O filho continua sendo filho.” E reforça: “Vocês não estão sozinhos. A associação é uma família.”

NOVA ELEIÇÃO NA AMAAS
A Associação de Pais e Amigos Autistas de Arroio do Sal se prepara para um novo ciclo de gestão.
A eleição da nova diretoria está prevista para o dia 27 de abril, marcando o início de um novo biênio. Até o momento, há expectativa de que duas chapas devem concorrer. A diretoria deve ser composta por presidente, vice-presidente, tesoureiro e secretário
O atual presidente, Gabriel Vargas de Melo, que esteve à frente da associação por dois anos, optou por não concorrer à reeleição.
A atual diretoria destaca que a gestão implementou uma estrutura mais técnica para garantir mais justiça e qualidade no atendimento às crianças. Eles se despedem na certeza de que o empenho realizado até aqui permanecerá com a nova diretoria.







