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Mais de 100 alunos com TEA estão na rede municipal

A presença de mais de 100 estudantes com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede municipal também reflete diretamente na organização das escolas e nas práticas pedagógicas adotadas. A coordenadora de Educação Especial, Ana Paula Weber, destaca que o município segue o modelo da educação inclusiva, garantindo o acesso dos alunos às escolas regulares, com suporte especializado.

O principal recurso utilizado, segundo Ana, é o Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado no turno inverso ao da sala comum, em espaços estruturados e com profissionais capacitados. “O AEE não substitui a escolarização. Ele complementa e suplementa o processo de aprendizagem, sempre em articulação com o professor da sala regular”, explica. Além disso, a coordenadora ressalta que as escolas contam com salas de recursos multifuncionais, professores especializados e atendentes de apoio, buscando oferecer condições mais adequadas para o desenvolvimento dos estudantes.

Além da estrutura física, a rede investe na qualificação contínua dos profissionais. “A formação continuada ocorre de forma sistemática ao longo do ano letivo, e as equipes gestoras estão organizadas para coordenar práticas inclusivas.” Na prática, isso se traduz em diferentes formas de acessibilidade: arquitetônica (estrutura física); comunicacional (como Libras e comunicação alternativa); e pedagógica (materiais adaptados e estratégias diferenciadas).

As adaptações também envolvem flexibilização de conteúdos, objetivos e formas de avaliação, respeitando o ritmo de cada estudante. Outro ponto importante é a organização pedagógica e documental Estudo de caso; Plano Educacional Individualizado (PEI); e Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE).

INCLUSÃO EXIGE MUDANÇA DE OLHAR

Para a coordenadora, o maior desafio da inclusão está na forma como a educação é pensada. “Precisamos compreender que a ideia de ‘aluno regular’ é uma ficção”, avalia e acrescenta: “a percepção atual focada apenas nos impedimentos que estão no aluno com deficiência -sejam eles físicos, intelectuais, sensoriais…- e a menor atenção às barreiras que interferem, são prejudiciais à aprendizagem e são hoje o nosso maior desafio.”

Na prática, isso significa adaptar metodologias, conteúdos e formas de avaliação, além de diversificar os materiais e estratégias utilizadas em sala de aula. “Modelos padronizados não dão conta da realidade”, alerta e destaca “a inclusão exige flexibilidade e conexão com a vida do aluno.” Nessa linha, a coordenadora garante que os profissionais da rede municipal de ensino “estão comprometidos no sentido de impulsionar um ensino de qualidade, inclusivo e que promova a equidade no direito à educação.”

FAMÍLIA: PARTE CENTRAL DO PROCESSO

Apesar dos avanços, ainda há desafios importantes: “parte das famílias ainda não compreende o que é a educação inclusiva. Algumas acreditam que o aluno deveria estar em escola separada ou confundem o papel do AEE.” Por outro lado, há um movimento crescente de famílias mais informadas, que buscam diagnóstico precoce, participam ativamente e cobram qualidade no atendimento.

Ana reforça que a participação da família é considerada essencial para o desenvolvimento dos estudantes. “O papel dos pais é central e insubstituível”, avalia e acrescenta: “a escola tem função pedagógica, mas é na relação contínua com a família que o desenvolvimento ganha consistência.” Para a coordenadora, o diálogo, a troca de informações e o acompanhamento próximo fortalecem o processo de aprendizagem.

INCLUSÃO COMO COMPROMISSO COLETIVO

Para a Educação, o maior avanço não está apenas na estrutura, mas na construção de uma cultura inclusiva dentro das escolas. “Não basta garantir o acesso. Precisamos qualificar a permanência, a aprendizagem e a participação de todos os estudantes”, avalia. A coordenadora destaca ainda que a proposta é romper com a ideia de que a inclusão é responsabilidade de um único setor, como o AEE. “Inclusão não é adaptação isolada. É transformação da prática pedagógica como um todo”, observa.


Um compromisso que vai além da sala de aula

Mais do que números, estruturas e projetos, a construção de uma educação inclusiva passa, antes de tudo, por uma mudança de olhar e é esse movimento que começa a se fortalecer em Arroio do Sal. Segundo a coordenadora de Educação Especial, o município vem trilhando um caminho de crescimento e comprometimento com a inclusão. “Estamos construindo uma educação em que todos estejam verdadeiramente integrados. Compreender que a pessoa é mais importante que a deficiência é o primeiro passo”, enfatiza.

Esse compromisso também se traduz em ações concretas, conforme Ana. No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a rede municipal promoveu iniciativas de visibilidade, como a colocação de faixas e adesivos no transporte escolar, além de encontros com famílias e momentos de troca de experiências. São gestos que parecem pequenos, mas fazem toda a diferença para as famílias”, salienta.

Entre os projetos previstos, estão iniciativas que valorizam tanto os estudantes quanto os profissionais da educação, como a realização da 1ª Mostra Municipal de Práticas em Educação Inclusiva, que busca dar visibilidade ao trabalho desenvolvido nas escolas.

A proposta da Secretaria de Educação, liderada pelo secretário Jáder Medeiros, é seguir avançando com base no diálogo, na formação e na aproximação com as famílias. “A convivência com esses estudantes transforma a escola. Nos ensina que não existe um único jeito de aprender, e que a empatia precisa estar no centro de tudo”, concluí Ana.


Encontro sobre educação inclusiva

A Secretaria da Educação realizou na última quinta-feira, dia 2, a palestra: ‘Participação e Vivência das Famílias na Educação de Crianças Atípicas’. A atividade integrou a programação alusiva ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, reunindo famílias.

A palestra foi conduzida pelos especialistas Isadora Espíndola e Jodoel Cardoso, que trouxeram relatos e reflexões a partir da vivência de famílias atípicas, promovendo identificação e conexão entre os participantes. Para a Secretaria de Educação, o encontro foi avaliado de forma muito positiva, destacando a participação ativa do público.

A iniciativa teve como objetivo fortalecer vínculos, ampliar o conhecimento sobre a inclusão e incentivar a construção de uma rede de apoio mais acolhedora no município.

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