O município de Arroio do Sal deu início à primeira fase do programa piloto: a implantação do método contraceptivo Implanon em adolescentes de 14 a 17 anos. A expectativa, segundo o secretário de Saúde, Wallace Cunha, é que os primeiros implantes comecem a ser aplicados até o fim de setembro, após a triagem das jovens cadastradas.
Foram adquiridos 200 implantes com recurso próprio do município, em um investimento de aproximadamente R$ 96 mil. A compra faz parte de uma estratégia preventiva diante dos dados alarmantes de gravidez na adolescência no Litoral Norte, que serviram de base para a criação do programa.
“Já tivemos casos de meninas grávidas aos 14 anos. Além das consequências sociais e de saúde para as jovens que são nossa maior preocupação, o impacto financeiro para o município também é significativo”, afirma Wallace.
Segundo o secretário, se o município tivesse 200 adolescentes gestantes, o custo com pré-natal, exames, deslocamentos e partos de risco poderia ultrapassar R$ 600 mil. Em comparação, o custo médio do Implanon na rede particular é de R$ 480, e considerando consulta médica e aplicação, o valor ultrapassa R$ 600 por adolescente — uma realidade inviável para muitas famílias em situação de vulnerabilidade.
Como funciona o programa
- A iniciativa está em fase de cadastro das adolescentes que se enquadram nas regras previamente divulgadas.
- Após o filtro, será feita a seleção das beneficiadas.
- A aplicação será feita por profissionais do Posto de Saúde, com acompanhamento periódico, incluindo reconsultas e orientações médicas.
- A expectativa é que, com boa aceitação e resultados positivos, o programa se torne contínuo, com busca de apoio estadual, federal e emendas parlamentares.
Prevenção da gravidez, mas não de ISTs
Embora o Implanon seja altamente eficaz para prevenir a gravidez (mais de 99% de eficácia por até 3 anos), ele não protege contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Por isso, profissionais da saúde reforçam que o método deve ser aliado ao uso de preservativos e à educação sexual.
O secretário de Saúde explicou que o programa já prevê, em sua estrutura, ações de conscientização sobre as doenças sexualmente transmissíveis e formas de prevenção que vão além do que é comumente conhecido. A expectativa é que essas atividades educativas sejam ampliadas em breve, alcançando adolescentes, famílias e a comunidade escolar.
Wallace ressalta que prevenção vai muito além do anticoncepcional. Ele destaca que é precisamos falar sobre autocuidado, responsabilidade, saúde emocional e respeito mútuo. “Esse é o nosso objetivo com o programa”, afirmou Wallace.










