O último domingo, dia 30, marcou o início do Advento, período litúrgico que abre o ciclo cristão e prepara os fiéis para celebrar o nascimento de Jesus. Para além da ‘contagem regressiva’ para o Natal, é um tempo de espera, gestação interior e propósito.
Para o Padre Nilso Ricardo Zanella, esse é um dos momentos mais ricos do ano: “a importância do advento, para mim, é um dos tempos mais bonitos de todos. O símbolo da coroa do advento é uma função de esperar. E a espera faz parte da vida cristã. A espera faz parte da vida humana. Então, este clima de espera, de esperar para Ele vir, é o principal elemento do advento.”
Numa sociedade acelerada, onde tudo parece urgente, o Advento surge como contraponto. Ele convida à pausa, à preparação do ambiente e, sobretudo, da alma. Padre Nilso explica: “o convite que a Igreja nos faz é que nós, de fato, nos coloquemos numa atitude de espera. Assim como Nossa Senhora esperou. E nós também, confiamos, e esperamos a vinda do nosso Salvador. E aí nós vamos repetir um refrãozinho durante o advento muito bonito. ‘Vem, Senhor Jesus, o mundo precisa de Ti.’”
AS QUATRO VELAS QUE ILUMINAM A CAMINHADA
Cada domingo do Advento acende uma chama e um significado:
- 1ª vela (vermelha) – Fé
- 2ª vela (verde) – Esperança
- 3ª vela (lilás) – Alegria
- 4ª vela (branca) – Paz
Padre Nilso recorda que o Advento é comparável ao tempo de uma gestação: “o tempo do advento é o tempo de gravidez… Nos permitimos nos sentir grávidos. Sentir-se grávidos, para que, de fato, o Senhor nasça verdadeiramente no nosso coração.”
UM ADVENTO PARA VIVER E NÃO APENAS ASSISTIR
Essa reta final do ano conta com muitas festas, compras e confraternizações, Padre Nilso propõe equilíbrio: “nós vivemos no meio do mundo, as coisas do mundo não são maléficas. Mas o primeiro ponto do equilíbrio começa pela liturgia. Participar das missas, da novena, preparar o ambiente e preparar o coração.”
Ele resume com uma imagem que quem mãe, entende muito bem: “só nasce se está grávido. Sem a gravidez não há o nascimento. Então, permita sentir-se grávido, gestar o Senhor em nós.”
O Advento não é apenas uma data no calendário , um chamado para desacelerar, preparar as mãos, dilatar o coração, e, acima de tudo, permitir que Deus encontre espaço para nascer.
Enquanto a Igreja convida a gestar a fé, uma jovem de Arroio do Sal incentiva o nascimento em forma de terços

Carol Lopes segue os passos dos pais na Igreja Católica. Desde jovem, entendeu que o caminho da fé pode surpreender, no entanto, ela não tinha o hábito de rezar o terço. “Eu e minha família nunca tivemos uma grande devoção pelo terço”, relembra e conta: “eu comecei gostar da devoção com capelas dentro do retiro do Onda, mais ou menos, uns dois anos atrás.”
Quando descobriu que podia confeccionar os próprios terços, algo mudou. Ela começou a criar terços e, muitos mais do que criar, ela começou a se “apaixonar por essa linda devoção que Maria nos deu de presente.”
Para ela, cada peça é oração concreta. “Durante o processo, eu me esforço para não me distrair, para conseguir rezar pela pessoa que me encomenda o terço”, conta. Ela se sente mais conectada com a criações ‘sem destino’, “pois eu não sei quem vai comprar ou receber este Terço, então, mentalmente, entrego o terço nas mãos de Deus.”
Para Carol, “cada terço representa uma rosa a Maria e Jesus, cada conta é um sacrifício de amor. Mesmo que muitas vezes eu não me sinta inspirada para rezar, eu sei que a minha persistência de estar ali, já é um sacrifício de amor.”
Para ela, o Advento encontra ecos profundos na prática. “O advento medita uma virtude em cada domingo, não consigo imaginar sacrifício melhor de espera e amor do que terço ou rosário nesse tempo de espera do nascimento de Jesus.”










