Considerado o maior investimento privado da história recente do RS, projeto prevê gerar 1,5 mil empregos diretos e movimentar até 53 milhões de toneladas por ano
O Porto Meridional, previsto para ser instalado em Arroio do Sal, no Litoral Norte gaúcho, foi tema do Fórum Impactos do Porto Meridional durante a 23ª Festa do Pescador de Arroio do Sal. O evento foi realizado na sexta-feira (1º) e reuniu autoridades políticas, representantes do setor produtivo e a comunidade para debater os impactos regionais e estaduais do projeto.
O investimento privado, estimado em mais de R$ 6 bilhões, promete transformar a infraestrutura logística do Estado, sendo considerado estratégico para o desenvolvimento do RS. Com previsão de início das obras em 2026 e operação em 2028, a proposta prevê a construção de um terminal onshore, fora da faixa de areia, com capacidade de movimentar até 53 milhões de toneladas por ano. Conforme explicado na apresentação, 90% dessa carga é composta por produtos que hoje saem do Estado para portos de fora, elevando custos e reduzindo competitividade.
Por que Arroio do Sal?
O diferencial geográfico do litoral arroiosalense é um dos grandes trunfos do projeto: trata-se da região do Brasil onde a costa está mais próxima de águas profundas, o que permite que navios de grande porte possam operar a poucos quilômetros da faixa de areia. “É uma localização privilegiada. O mar profundo perto da costa permite a construção de um porto enraizado, com menos impacto estrutural e maior viabilidade técnica”, afirma o diretor da DTA Engenharia, Daniel Khol.
O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com maior espelho d’água do país, contudo, tem baixa exploração portuária, especialmente quando comparado ao vizinho Santa Catarina, onde os portos já operam próximo do limite. O Porto Meridional surge, então, como alternativa estratégica para ampliação da logística nacional, voltada tanto ao agronegócio quanto a outros setores produtivos. Estudos de viabilidade mostram uma ampla diversidade de cargas que poderão ser transportadas, como explica Kohl: “o que justifica o empreendimento é essa pluralidade de carga, desde grãos até produtos industrializados e minerais.”
Investimento e Fases do Projeto
A DTA Engenharia explica que o investimento de R$ 6,5 bilhões será dividido entre:
- R$ 1,5 bilhão destinados à infraestrutura terrestre e acesso
- R$ 5 bilhões para construção de terminais, berços de atracação e estrutura portuária
Questionados sobre os recursos para a implantação do Porto, o grupo disse que conta com capital para parte das etapas e há interesse de novos investidores. Também, destacaram que há possibilidade de capital por meio de linhas subsidiadas de financiamento. “O licenciamento ambiental será o divisor de águas para que novos sócios e financiadores ingressem no projeto”, destacou Daniel Kohl.
Entre as etapas já concluídas estão o levantamento de fauna e flora, estudos de campo e análises de viabilidade ambiental. Alguns ajustes solicitados pelo Ibama já estão sendo respondidos e o próximo passo, assim que liberado pelo Ibama, será a realização de audiências públicas, essenciais para ouvir a comunidade e apresentar os detalhes do empreendimento.
Vale ressaltar ainda que, o Porto Meridional já foi:
• Declarado de utilidade pública pelo Governo do RS
• Aprovado pela Marinha, Ministério de Portos e Aeroportos e Antaq
• Apresentado com projeto de engenharia completo
• Está em fase de licenciamento ambiental junto ao Ibama
Resistência ambiental e econômica
Durante a apresentação técnica, um grupo de moradores se posicionou de forma silenciosa no fundo do espaço do fórum, usando camisetas com a frase “Cuidar da natureza é cuidar de nós” e seguraram folhas com: “Porto não.” A manifestação pacífica refletiu a preocupação ambiental de parte da população diante da transformação do território.
Além da pauta ambiental, há também resistência econômica, especialmente relacionada ao Porto de Rio Grande. Daniel, diretor da DTA, reconheceu essa tensão, mas ponderou:
“Qualquer empreendimento passa por um crivo rigoroso ambiental. Ainda que seja um investimento privado, ele tem todas as medidas previstas que passam pelo setor público.”
Do ponto de vista econômico, ele vê com bons olhos a expansão e destaca que a “concorrência é salutar para elevar o serviço portuário.” Segundo ele, a iniciativa também impulsiona o desenvolvimento do próprio Porto de Rio Grande. “Nosso foco é buscar o desenvolvimento, fomentar novas cargas e tornar a logística mais eficiente. Isso cria um ciclo que beneficia a todos”, conclui.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Adauri Cabrakm destacou a importância de garantir condições básicas para a população, sem abrir mão da defesa ambiental:
“Acredito que o porto pode ajudar a garantir condições básicas para uma vida digna. Mas, como ambientalista, sempre defenderei o meio ambiente.”
O prefeito de Arroio do Sal, Luciano Pinto, também reforçou o papel do município diante do projeto. “Tu não consegue defender o meio ambiente se não tiver recursos”, destaca e enfatiza: “Arroio do Sal, diante de nossa realidade, é apenas um instrumento para dar as condições para o Estado do RS voltar a crescer e dar dignidade às famílias daqui.”
Autoridades e setores mobilizados
O fórum foi promovido pela Câmara de Vereadores de Arroio do Sal, sob condução do presidente Mateus Coelh, e teve mediação da jornalista Giane Guerra, do Grupo RBS. Participaram nomes como:
• Prefeito Luciano Pinto
• Senador Luis Carlos Heinze
• Deputado estadual Issur Koch (Frente Parlamentar em Defesa do Porto Meridional)
• Presidente da Famurs, Adriane Perin
• Secretário do Meio Ambiente, Adauri Cabral
• Diretor da DTA Engenharia, Daniel Khol
• Diretor jurídico da Porto Meridional Participações, André Busnello
• Presidente da Mobi Caxias, Rodrigo Postiglione
• Vice-presidente da FIERGS, Ubiratan Rezler
Também, Prefeitos de outros municípios do Litoral Norte também prestigiaram, como Luis Henrique Vedovato (Imbé) e Juarez Marques (Tramandaí), além de representantes da indústria metalúrgica da Serra.
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