O Litoral Norte está entre as regiões contempladas pela chamada pública Teia de Soluções – Resiliência Climática para o Rio Grande do Sul, iniciativa inédita que investirá R$ 11 milhões em projetos voltados à adaptação climática e reconstrução ambiental após os eventos extremos registrados no Estado em 2024.
Entre os 15 projetos selecionados, as ações voltadas ao litoral gaúcho destacam-se pela integração entre meio ambiente, ciência e comunidades locais, com foco em Soluções Baseadas na Natureza (SBN). O objetivo é fortalecer a segurança hídrica, proteger ecossistemas costeiros e preparar o território para os efeitos das mudanças climáticas.
Conforme o gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, Emerson Antônio de Oliveira, a chamada pública se caracterizou por um processo de cocriação. “Cada parceiro fez o aporte de recursos, mas igualmente disponibilizou suas equipes técnicas. Há 35 anos que a Fundação Boticário apoia projetos de conservação em todo o país”, comentou. Coube a Oliveira apresentar as soluções selecionadas pela Fundação.
Corredores ecológicos e resiliência costeira
No Litoral Norte, o destaque é o projeto “Corredores Bioclimáticos Porta de Torres”, desenvolvido na região da Porta de Torres, junto ao Parque Estadual de Itapeva. A iniciativa criará corredores ecológicos para conectar ecossistemas e promover a adaptação de espécies humanas e silvestres aos impactos do clima.
Além de proteger a biodiversidade, o projeto prevê ações de educação ambiental, restauração de áreas naturais e incentivo ao turismo sustentável, reforçando o papel estratégico da costa norte gaúcha na preservação ambiental do Estado.
Investimento e cooperação entre instituições
A chamada pública Teia de Soluções é uma parceria entre a Fundação Grupo Boticário, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Regenera RS, a Fapergs e a Fundação Araucária, com apoio das secretarias estaduais de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict) e Desenvolvimento Econômico (Sedec).
Na definição do diretor-presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, a parceria deixará um legado que vai além da própria implementação de cada projeto. “Estamos resgatando o convívio da sociedade com a natureza. Por anos, ficamos numa disputa por espaços onde todos perderam, quando a solução sempre esteve no mais simples, que é o equilíbrio”, frisou Ranolfo.
O aporte dos recursos por parte do banco ao Teia de Soluções é através do Fundo Verde. “É um mecanismo que veio para reforçar nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável da região Sul e, por consequência, do planeta”, acrescentou.

“Parceria apoiada pelo BRDE deixará legado duradouro e vai além da execução dos projetos selecionados”, comenta Ranolfo – Foto: Divulgação BRDE
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, a seleção reflete o novo momento do Estado:
“ Essa iniciativa representa o esforço conjunto de diversas instituições que acreditam que é possível crescer com sustentabilidade, regenerar territórios e proteger as pessoas. Estamos unindo desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental, e isso consolida o Rio Grande do Sul como referência nacional em ações de adaptação climática”
A secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia, Simone Stülp, destacou que o edital está alinhado ao Plano Rio Grande, programa estadual de reconstrução e resiliência.
“Estamos nos tornando um Estado referência neste tema e cito aqui o Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática e o Centro de Referência Internacional em Assuntos Relacionados às Mudanças Climáticas (Criec) como outros exemplos, para além deste importante edital”, disse.
Outras ações selecionadas
Além do projeto de Torres, o edital contempla iniciativas em diversas regiões do Estado, com soluções que vão desde a restauração ecológica até o uso de tecnologia e inteligência artificial para prevenção de desastres. Entre elas:
Soluções apoiadas pela Fundação Grupo Boticário
- Corredores bioclimáticos Porta de Torres: a solução criará corredores para conectar ecossistemas e ajudar na mitigação e adaptação de espécies humanas e silvestres aos efeitos do clima. Uma estratégia para a Região da Porta de Torres, junto ao Parque Itapeva, para proteger a biodiversidade e promover a resiliência climática.
- Tecendo Estratégias de Adaptação e Resiliência: a iniciativa apoia gestores públicos e técnicos do Rio Grande do Sul (dez municípios da Região Metropolitana) com diagnósticos, capacitações e projetos-piloto para incluir SBN no planejamento urbano. Uma rede de cooperação para fortalecer a resiliência nas cidades.
- Renascer do Rio Grande – sementes do futuro verde: o projeto envolve a produção de mudas, restauração de áreas degradadas e capacita comunidades para prevenir enchentes e regenerar ecossistemas na Bacia Hidrográfica Taquari-Antas. Uma resposta direta aos impactos climáticos com foco em reconstrução e futuro.
Soluções apoiadas pelo BRDE - SBN: ferramenta de saneamento e resiliência: a iniciativa, em Nova Santa Rita, pretende implantar um sistema piloto que trata o esgoto de forma mais sustentável, com reúso da água no próprio local. A ideia é que essa solução sirva de exemplo para outras cidades da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, mostrando como o saneamento também pode ajudar na adaptação às mudanças do clima.
- Resiliência em comunidade tradicional pesqueira: o projeto, liderado pela Prefeitura de Pelotas, busca reduzir os impactos das inundações na Barra de Pelotas, restaurando ecossistemas costeiros, melhorando habitações e fortalecendo a pesca artesanal, o turismo ecológico e a qualidade de vida local.
- Água e economia circular para revitalizar: a iniciativa visa a melhoria hídrica e vai utilizar a fitorremediação para tratar efluentes em bacias hidrográficas rurais. Utiliza os princípios da economia circular para aproveitar a biomassa produzida.
- Laboratório de resiliência urbana avançado (Lab Rua): a ideia é usar redesenho urbano e SBN para incentivar atores do Programa de Regeneração Urbana da cidade a enfrentar problemas recorrentes da região do Quarto Distrito, em Porto Alegre, como alagamentos, degradação e a vulnerabilidade social.
- Caminhos do rio: o projeto visa implementar infraestruturas verdes nas ruas do bairro Centro, na cidade de Estrela, qualificando o espaço para enfrentar os desafios urbanos e reconectar a população com a história local e o rio que deu origem à cidade.
Soluções apoiadas pela Fapergs e Fundação Araucária - Restauração ecológica para a resiliência climática: o projeto integra ciência e comunidades para elaborar um plano de restauração no Corredor Ecológico da Quarta Colônia, com base no potencial de regeneração natural e de qualidade dos ecossistemas. A proposta inclui mapear zonas prioritárias para restauração ecológica, colaborando com comunidades rurais e gestores na reconstrução da resiliência climática.
- Sistema de Observação e Monitoramento Ambiental da Lagoa Mirim (Soma-Mirim): sistema integrado de monitoramento ambiental que ajuda gestores públicos e comunidades ribeirinhas a acompanharem, em tempo real, a qualidade da água, do ar e do clima na Lagoa Mirim, gerando alertas e mapas. A solução ajuda na tomada de decisões mais rápidas e conscientes diante das mudanças climáticas.
- CLIMATE-AI-SBN: IA para enfrentamento climático: plataforma educacional que apoia escolas públicas na preparação para os efeitos da crise climática. Traz trilhas de aprendizagem, simulações e planos de ação com base na natureza, tudo alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
- Sistema de alerta de cheias de Jaguarão (SACH-J): sistema integrado que combina monitoramento em tempo real e barreiras móveis de contenção para prevenir cheias em Jaguarão. Auxilia gestores e a comunidade, gerando alertas automáticos e respostas rápidas, protegendo a população e reduzindo danos.
- SBN para resiliência climática na Região Metropolitana: o projeto propõe corredores ecológicos e ações baseadas na natureza para guiar o planejamento metropolitano. Com mapas, índices e cartilhas, apoia gestores e comunidades na tomada de decisões para um futuro mais resiliente.
Soluções apoiadas pelo Regenera RS - Sementes da vida nova – raiz e resistência: a iniciativa visa apoiar comunidades periféricas de Porto Alegre no enfrentamento da crise climática, por meio da criação de hortas, jardins de chuva, compostagem e espaços públicos.
- Tamanduá caminhos vivos – a força da resiliência: o projeto apoia a reconstrução de uma comunidade do município de Marques de Souza, com envolvimento direto dos moradores, promove a restauração ambiental e oferece oficinas e atividades educativas, reforçando a força coletiva e a resiliência local.
Resiliência para o futuro
Com prazos de execução entre 12 e 24 meses, os projetos devem influenciar diretamente o planejamento territorial, a segurança hídrica e a proteção ambiental das regiões mais vulneráveis do Estado.
No Litoral Norte, a expectativa é que o “Teia de Soluções” contribua para proteger áreas naturais sensíveis, fortalecer a educação ambiental e promover o equilíbrio entre desenvolvimento e conservação — pilares de um futuro mais resiliente para o Rio Grande do Sul.
Com informações: Ascom Governo do Estado








