O salão do Restaurante Panela de Ferro, em Santa Rosa do Sul (SC), recebeu um brilho diferente na noite de 17 de outubro. As luzes refletiam os olhares marejados, os abraços demorados e os sorrisos denunciavam o que era impossível esconder: orgulho, pertencimento e gratidão. Era noite de formatura! Duas turmas, uma de Santa Catarina e outra (pela primeira vez) do Rio Grande do Sul, se uniram para comemorar a conclusão do Programa Mulheres Cooperativista, do Sicoob Credija.
As estrelas da noite foram 63 mulheres vindas das mais variadas cidades com sede Credija. Durante oito encontros, elas se descobriram irmãs, mesmo que cada uma tivesse a sua própria história e sua bagagem de vida. “Mulheres do campo, da cidade. Mulheres empreendedoras, empresárias, autônomas, aposentadas, as que cuidam do lar, as que cuidam de gente… Mulheres de vocações distintas, com suas próprias lutas (e que lutas!)”, destacou uma das oradoras da noite, Giuliane Giovanaz.
Para nove mulheres gaúchas, essa foi a primeira formatura da vida. O Sicoob Credija, em parceria com o Sescoop/SC, proporcionou não apenas um certificado… mas um sonho que, por muito tempo, parecia distante. Naquela noite, elas vestiram-se de conquistas, ergueram o olhar e sentiram o peso doce da vitória.
“Compartilhar… essa foi, com certeza, a maior lição que aprendemos”, foi um dos destaques dos discursos da noite. Aquelas mulheres, gaúchas e catarinas, desde junho, mesmo que separadas por dois grupos, assim como os limites territoriais, compartilharam. Elas compartilharam medos, inseguranças, vulnerabilidades, sonhos, risadas e conquistas.
Chegaram no primeiro dia cheias de curiosidade e, só de olhar para elas durante a cerimônia, dava para sentir que saíram transbordando emoção, amor e gratidão. Elas foram unidas por algo invisível e poderoso: o espírito cooperativista. E, esse espírito do cooperativismo vai além de um sistema… ele é sobre pessoas, como descreve parte do discurso de Giuliane:
Teve choro, teve risos, muitos risos, né, Dona Vilma? Teve lágrimas ao voltarmos para algumas situações ainda não cicatrizadas mas, com a Glória de Deus, teve lágrimas de alegria também. Cá entre nos, o que não faltou foram abraços até aquelas que não gostavam tanto passaram a abrir os braços e acolher a irmã que estava a sua frente! Teve carinhos, troca de olhares -daqueles que a gente vê com calma aquilo que a outra não enxerga mais, teve comemorações e muitas galinhas que se tornaram águias… Curamos, ressignificamos e aprendemos tanto!
O encontro de histórias e o nascimento de uma irmandade
O Programa Mulheres Cooperativistas, promovido pelo Sicoob Credija com apoio do Sistema OCESC, reuniu mulheres de diferentes trajetórias e cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. No Estado Gaúcho a edição foi inédita e contou com a participação de cooperadas das agências de Morrinhos do Sul, Três Cachoeiras, Arroio do Sal e Terra de Areia.
Durante meses, elas participaram de oito encontros divididos em temáticas sobre liderança, comunicação, oratória, educação financeira e os princípios do cooperativismo, mas o verdadeiro aprendizado veio das trocas, da escuta e da convivência.
“Foi algo para ser lembrado por toda a vida”, contou Neusa Tessari, ainda emocionada. “Foram momentos de muito aprendizado, crescimento pessoal e muitas amizades. Tenho certeza de que juntas podemos trazer muito crescimento para a nossa cidade e para a cooperativa,” destaca. Neusa faz parte do grupo de formandas de Arroio do Sal.
Para Flavi Matos, também de Arroio do Sal, a experiência foi um misto de encantamento e gratidão:
“Durante todo o programa me senti especial, escolhida. Cada detalhe foi feito com muito carinho. Espero poder colocar em prática o que aprendi e fazer diferença na vida de outras pessoas.”
Entre abraços e olhares cúmplices, as mulheres se descobriram parte de algo maior.
Liderança feminina e o poder de transformar comunidades
No olhar atento da gerente do Sicoob Credija de Arroio do Sal, Raquel Boschetti, era visível o orgulho.
“Foi emocionante ver o engajamento das mulheres da nossa região. A presença feminina é essencial tanto na cooperativa quanto na comunidade, onde elas atuarão como verdadeiras disseminadoras do cooperativismo”, destacou.
O presidente do Sicoob Credija, Wolni José Waltwer, também ressaltou a força transformadora da iniciativa:
“O programa interfere diretamente na atuação feminina dentro da cooperativa, e isso se reflete na participação ativa dos núcleos femininos em suas comunidades. Hoje, cerca de 41% dos nossos cooperados são mulheres — e elas estão levando os valores do cooperativismo para além das fronteiras da instituição.”
Mais do que formadas — renascidas
Para muitas, a cerimônia simbolizou o recomeço de uma história.
“Além de cuidado e carinho, o programa me fez enxergar o mundo de um jeito diferente, mais colaborativo, mais humano e menos competitivo”, disse Débora Torres, formanda de Arroio do Sal. “O cooperativismo mostra que crescer junto é não apenas possível, mas também mais sustentável e gratificante”, destaca.
Com o encerramento das atividades, as formandas seguem agora como multiplicadoras do conhecimento, unindo forças no Núcleo Feminino do Sicoob Credija. Em suas comunidades, levarão adiante o aprendizado que brotou ali: o da cooperação, da empatia e da coragem de ser protagonista da própria vida.
O legado que fica
Quando as luzes do salão se apagaram, ficou a certeza de que nenhuma daquelas mulheres sairia dali a mesma. Aquelas que chegaram com timidez agora falam com firmeza; as que duvidavam de si mesmas hoje inspiram outras; as que nunca haviam vivido uma formatura, enfim, sentiram-se parte de algo maior.
Sairam líderes, prontas para servir e liderar à cooperativa, à comunidade e, principalmente, à vida. E, naquele instante, entre lágrimas e aplausos, ficou claro que o cooperativismo não forma apenas líderes, forma mulheres que acreditam umas nas outras, e em si mesmas.











