Home / Saúde e Bem-Estar / Saúde Mental: Arroio do Sal avança no acolhimento e na prevenção com o AMENTE

Saúde Mental: Arroio do Sal avança no acolhimento e na prevenção com o AMENTE

No município, o Ambulatório de Saúde Mental tem sido peça-chave para garantir atendimento humanizado, reduzir filas e salvar vidas. O tema foi destaque também no PodConta+, reforçando a importância de cuidar da mente e quebrar tabus.


💬 Conscientizar é salvar vidas

No último 10 de outubro, o mundo celebrou o Dia Mundial da Saúde Mental, uma data que convida à reflexão sobre um tema cada vez mais urgente: o cuidado com o emocional e a necessidade de romper o estigma que ainda cerca os transtornos mentais.

Em Arroio do Sal, esse debate ganhou ainda mais relevância por meio da atuação do Ambulatório de Saúde Mental (AMENTE) – serviço que integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e tem transformado o acesso da comunidade a atendimentos especializados.

O assunto também já foi tema de episódio do PodConta+, que trouxe histórias e reflexões sobre a importância de falar abertamente sobre saúde mental e buscar ajuda sem medo ou preconceito.


AMENTE: um marco para a saúde mental em Arroio do Sal

Em entrevista ao Portal Conta+, a psicóloga e referência do Amente, Sabrina Paniz, explicou que o projeto foi criado por meio de uma portaria do Governo Federal, mas hoje é mantido pelos municípios que decidiram investir na continuidade do serviço – uma vez que a regulamentação Federal não está mais em vigor.

“O AMENTE é um ambulatório de nível secundário do SUS, voltado a pessoas de todas as idades que precisam de atendimento especializado em saúde mental. Os encaminhamentos vêm das unidades de saúde da família (ESFs), e aqui atendemos desde casos moderados até os graves, já que o município não possui CAPS”, explica Sabrina.

Antes da implementação do ambulatório, o cenário era preocupante: havia uma fila de espera de cerca de 300 pessoas, e o tempo médio para ser atendido chegava a três anos.

Hoje, essa realidade mudou. Com o AMENTE estruturado, segundo a psicóloga, a média de espera é de apenas três meses. E o acolhimento psicossocial é feito por psicóloga e assistente social, tanto no ambulatório quanto nos ESFs.


Desafios da prevenção ao suicídio

Sabrina também falou sobre os desafios da prevenção ao suicídio, um tema delicado que exige sensibilidade e informação. Entre os principais obstáculos, ela cita a falta de conscientização e o estigma ainda presente na sociedade:

“Muita gente ainda acha que ir ao psicólogo é ‘coisa de louco’. Essa visão impede que as pessoas busquem ajuda e faz com que o sofrimento se agrave.”

Outro ponto preocupante é a maior incidência de suicídio entre homens, especialmente no Rio Grande do Sul. Sabrina avalia que o machismo é um fator que pesa muito. “O homem é ensinado a não chorar, a não falar sobre sentimentos e isso o torna mais vulnerável”, comenta.

Os dados de Arroio do Sal reforçam essa diferença: em 2024, 180 mulheres procuraram atendimento psicológico contra 46 homens, e em 2025, até setembro, 139 mulheres contra 49 homens.

“Aqui no município, nós conseguimos avançar muito. Hoje temos uma rede estruturada, com acolhimento precoce e humanizado, que tenta atender antes que os transtornos se agravem”, reforça.


O papel dos familiares e amigos

Sabrina fez ainda um alerta importante: os sinais de sofrimento emocional costumam aparecer e é essencial que familiares e amigos saibam reconhecê-los.

Entre os principais sinais de alerta, ela cita:

  • isolamento social;
  • mudanças bruscas de humor;
  • descuido com a aparência e higiene;
  • alterações no sono e no apetite;
  • falas de desesperança (“não aguento mais”, “todo mundo ficaria melhor sem mim”);
  • abuso de álcool e drogas;
  • comportamentos de risco e ações de despedida.

“Esses sinais precisam ser observados no contexto do comportamento da pessoa. Se forem contínuos ou associados, é fundamental buscar ajuda profissional”, enfatiza.


Falar é o primeiro passo

O Dia Mundial da Saúde Mental reforça que cuidar da mente é cuidar da vida. E, em Arroio do Sal, o exemplo do AMENTE mostra que é possível construir uma rede de acolhimento eficaz, onde cada pessoa seja ouvida com empatia e dignidade.

O PodConta+ também tem sido uma ferramenta importante nesse movimento de conscientização, mostrando que falar sobre saúde mental não é sinal de fraqueza — é um ato de coragem. O episódio do PodConta+ foi ao ar em setembro, no YouTube e no Spotify.


Onde buscar ajuda

  • Centro de Valorização da Vida (CVV) — 188 (atendimento 24h, gratuito e sigiloso)
  • Unidades de Saúde (ESFs) de Arroio do Sal
  • Ambulatório de Saúde Mental (AMENTE) — via encaminhamento médico
  • Samu — 192
  • Emergência em Saúde Mental do Hospital Regional de Torres

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *