Monitoramento aponta presença do vetor, mesmo sem casos confirmados; trabalho técnico avança,mas prevenção depende da população
Um mosquito pequeno, silencioso e capaz de transmitir três doenças graves: dengue, chikungunya e zika vírus. Em Arroio do Sal, o combate ao Aedes aegypti é intensificado com tecnologia, monitoramento e ações em campo. Contudo, enfrenta um desafio que vai além das equipes de saúde: o comportamento dentro das próprias casas.
Dados atualizados do Governo do Estado do Rio Grande do Sul confirmam que o município já possui presença do mosquito em circulação, embora ainda não tenha registrado casos confirmados de doença. Até o momento, foram contabilizadas seis notificações de casos suspeitos de dengue, todas descartadas após investigação.
Para a Secretaria da Saúde o cenário no município é considerado controlado, mas exige atenção. “A ausência de casos de doença não significa ausência de risco. Se o mosquito está presente, a possibilidade existe”, reforça o responsável pelo setor de vigilância ambiental em saúde de Arroio do Sal, Emilio Schaly.
Apesar do cenário controlado por aqui no município, o contexto estadual acende um alerta. O Rio Grande do Sul já registra mais de 7 mil notificações e 320 casos confirmados, 375 inconclusivos e mais de 2,5 mil casos em investigação, além de 477 municípios considerados infestados.
Esse contraste reforça a importância da prevenção, mesmo em cidades onde não há casos confirmados. As autoridades de saúde alertam que a ausência de casos não significa ausência de risco, afinal, a circulação do mosquito já é suficiente para exigir cuidados redobrados da população.
Um trabalho contínuo e baseado em dados
Arroio do Sal hoje conta com uma estrutura diferenciada na região. Um dos destaques é o laboratório de entomologia, que permite analisar o mosquito em todas as fases: ovo, larva, pupa e adulto. Segundo o responsável pelo setor de vigilancia ambiental em saúde de Arroio do Sal, Emilio Schaly, o laboratório é dos poucos disponíveis na 18ª Coordenadoria Regional de Saúde, a qual o município pertence.
Além disso, a equipe liderada por Schaly instalou 83 armadilhas (ovitrampas) distribuídas estratégicamente pelo município. Esses pontos funcionam como sentinelas para identificar a presença do mosquito e direcionar as ações das equipes. “Se a armadilha dá positivo, significa que existe mosquito naquela região. A partir disso, a gente prioriza o trabalho naquele território”, explica.
Neste mês, 18 armadilhas apresentaram presença de ovos, e cerca de 7 pontos já são considerados reincidentes, o que exige monitoramento constante.
Um dos diferenciais do município é o uso de drones para identificar possíveis criadouros, principalmente em locais de difícil acesso. Com cerca de 70% dos imóveis fechados, a tecnologia permite localizar: piscinas ‘abandonadas’, acúmulo de lixo e depósitos com água parada. “Muitas vezes o problema não está visível da rua. O drone nos permite enxergar isso”, destaca Schaly.
O mosquito tem território e ele já está aqui
O monitoramento mostra que o mosquito não está espalhado de forma aleatória. Ele se concentra em áreas específicas e pode se repetir nos mesmos locais. Além disso, houve aumento na quantidade de ovos, o que indica maior atividade do vetor. “Cada fêmea pode colocar cerca de 20 ovos. Quando a gente vê aumento, significa mais mosquito circulando naquele território”, alerta Emilio.
Ao contrário do que muitos imaginam, as piscinas não são os principais focos do mosquito. O problema está em objetos simples, muitas vezes ignorados no dia a dia. Entre os principais criadouros encontrados estão:
- baldes e bacias
- garrafas e copos
- pneus
- brinquedos
- vasos de planta
- bromélias
- ralos
- caixas e recipientes esquecidos
“O grande problema é o lixo. São objetos que ficam no pátio, acumulam água e passam despercebidos”, alerta Emilio e explica que, em poucos dias um descuido pode se transformar em risco. “Em menos de 10 dias, um recipiente esquecido pode virar um foco ativo”, explica.
COMO FUNCIONA O MONITORAMENTO COM AS OVITRAMPAS?
– São instaladas em pontos estratégicos
– Elas capturam ovos do mosquito
– Identificam o risco antes dos casos aparecerem
– Auxiliam nas ações da saúde pública

Ciclo rápido e risco silencioso
O ciclo do mosquito é rápido e eficiente. Com calor e umidade, ele se desenvolve e se adapta com facilidade:
- O ovo pode sobreviver por mais de 300 dias
- O ciclo completo pode ocorrer em menos de duas semanas
- O mosquito vive até 30 dias
- Após se infectar, pode transmitir o vírus em poucos dias
“A pessoa esquece um balde, um brinquedo, qualquer recipiente… e em poucos dias já pode ter mosquito voando”, alerta Emílio.
Sintomas e quando procurar atendimento
A dengue costuma começar de forma repentina, com uma febre que não baixa com facilidade. “A pessoa sente que não é uma gripe comum”, explica. Além da febre, os principais sinais são:
- dor no corpo e nas articulações
- dor atrás dos olhos
- manchas vermelhas na pele
- mal-estar intenso
O teste rápido pode ser feito até o quinto dia de sintomas e a orientação é procurar atendimento ao perceber os sinais.
Prevenção é o melhor caminho: veja como evitar o mosquito no dia a dia
Com a presença do Aedes aegypti em Arroio do Sal, pequenos cuidados dentro de casa são decisivos para evitar a proliferação
Se o mosquito está presente, a prevenção precisa fazer parte da rotina. Em Arroio do Sal, o monitoramento já confirmou a circulação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus. Mesmo sem casos confirmados até o momento, o alerta é claro: o risco existe e começa dentro de casa.
A campanha da Prefeitura reforça essa mensagem de forma direta: ‘Um mosquito, várias doenças. Afaste o Aedes aegypti.’
O combate começa no pátio
Diferente do que muitos imaginam, o mosquito não precisa de grandes volumes de água para se reproduzir. Qualquer pequeno recipiente pode se tornar um criadouro e é tudo é muito rápido. Em poucos dias, o ciclo se completa:
- o mosquito deposita os ovos
- as larvas se desenvolvem
- e um novo mosquito passa a circular
Tudo isso pode acontecer em menos de duas semanas. Por isso, a prevenção precisa ser constante.
Os principais erros que favorecem o mosquito
Grande parte dos focos está em objetos simples do dia a dia, como: baldes esquecidos no pátio, garrafas e copos, brinquedos ao ar livre, pneus, vasos de planta, calhas entupidas, caixas sem tampa e ralos pouco utilizados.
Emilio alerta que plantas também exigem atenção. As bromélias, por exemplo, e vasos de plantas podem acumular água e se tornar criadouros. As orientações são simples:
- evitar água parada
- higienizar semanalmente potes dos animais domésticos e ralos,
- manter caixas d’água bem fechadas
- limpar calhas com frequência
- evitar acúmulo de água em recipientes
- guardar objetos em locais cobertos
- manter piscinas limpas e tratadas
- ficar atento aos lixos que podem acumular água. Feche bem em sacos plásticos e mantenha a lixeira sempre bem fechada.

O combate só funciona com a população
Apesar de toda a estrutura, tecnologia e monitoramento, o ponto central continua sendo a participação da comunidade. “Não adianta o poder público fazer sua parte se o foco continua dentro das casas”, reforça Emílio e completa: “não é falta de informação. Muitas vezes é um detalhe do dia a dia que passa despercebido.”
Como COMBATER ou pedir orientação
A Vigilância Sanitária de Arroio do Sal disponibiliza atendimento via WhatsApp para dúvidas, denúncias e envio de fotos: (51) 98916-9993
As equipes fazem a verificação e orientação diretamente nos locais.
Um trabalho coletivo
O município segue ampliando as ações, com previsão de uso de novos equipamentos para aplicação de inseticida em áreas críticas. Contudo, o resultado depende de um esforço conjunto.
O trabalho está sendo feito nas ruas, nos dados e no monitoramento. Porém, o combate começa dentro de casa, em cada cuidado e em cada escolha. Afinal, diante de um mosquito que “vale por três”, a prevenção também precisa ser compartilhada.










