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A vitória que nasceu em casa: a jornada de Samuel Rolian até o título mundial de jiu-jitsu

Quando o nome de Samuel Rolian ecoou no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, anunciando o campeão mundial da categoria infantil faixa amarela, ele pensou, por um segundo, em tudo o que já tinha vivido ali. Após duas vezes batendo na trave, comemora: “eu finalmente consegui.” Samuel tem 11 anos e hoje carrega 21 vitórias em 25 competições.

Samuca disputou o Campeonato Mundial Kids da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo (CBJJE), no fim de semana passada. Para ele, a luta final foi a mais difícil. No tatame, entre concentração e resistência, vieram as técnicas que o acompanharam ao longo do ano: o armelock preciso, a guarda fechada e a força de quem sabe que há uma cidade inteira torcendo por ele.

Não houve momento exato em que percebeu a vitória chegando. Ela veio como vêm as conquistas que valem a pena: aos poucos, com coragem.

Rotina de atleta

A rotina de Samuel carrega a deteminação e o suor em busca da medalha no mundial. Ele acorda cedo para a musculação, estuda à tarde e treina jiu-jítsu todas as noites. O peso maior, ele conta com sinceridade, aparece nos finais de semana: “Eu fico todo dolorido.” Mesmo assim, não reclama. Pelo contrário: “Eu gosto mesmo é de competir.”

Quando perguntado sobre sua maior inspiração, responde sem pensar: a família. E, sobre o futuro? Ele ainda não tem um sonho definido, mas sabe o que quer “competir nos maiores campeonatos que tiverem”.

Um campeão formado pela família

Se o jiu-jítsu molda o corpo e a técnica, é em casa que Samuel encontra o que sustenta a trajetória tão jovem.

O pai, Lenan Rolian, empresário e incentivador, descreve a cena da vitória: “Eu estava do lado de fora, com o coração acelerado. Quando veio a confirmação, foi um misto de alívio, alegria e gratidão. Passou um filme na cabeça.”

Para ele, o momento mais marcante não foi a medalha, mas as vezes em que o filho caiu. “Ver ele perder, chorar e mesmo assim querer voltar pro tatame… Ali eu vi que não era só um campeão, era um homem sendo formado”, conta.

A mãe, Fernanda Santos, viveu a luta à distância. Enquanto preparava a filha mais nova, a Isabela, para a apresentação de balé, assistia cada movimento de Samuca pelo YouTube. “Entre uma pincelada e outra, eram gritos de torcida”, lembra e acrescenta: “mesmo longe, eu estava com ele em chamada de vídeo. Foi intenso, cheio de alegria e nervosismo.”

Em conversa com a redação, ela lembra que o momento mais marcante nessa trajetória veio em 2024, no Brasileiro, quando Samuel precisou perder 1,5kg às pressas para não ser desclassificado. “Ele chorava, esgotado, e eu pensava: será que vale a pena? Mas vi a força que ele tem. Ele quis continuar. No fim, venceu. Aquela vitória mudou a gente”, comemora.

O significado de incentivar

O pai descreve o papel da família com simplicidade e fé: “É estar presente de corpo, alma e coração. Ensinar que a vitória não vem só da força, mas da fé. Ele pode cair, chorar, se levantar, sabendo que tem uma família ao lado e um Deus à frente.”

A mãe reforça: “O que mais desejo é que ele leve disciplina e caráter para a vida. Estamos com ele em tudo, e acreditamos que Deus tem um propósito na história dele.” E Samuel sente isso: “Eu sou muito grato por ter minha família do meu lado.”

A volta para casa

Na chegada a Arroio do Sal, a cena foi de emoção coletiva. “Eu achei muito legal todo mundo sair de casa para me esperar no pórtico da cidade”, conta Samuel. Era mais que uma carreata. Era o reconhecimento de uma comu-nidade a um menino que representa entrega, humildade e força. Três elementos que moldam não apenas um atleta, mas uma história.

Mais que um título
O Mundial que Samuel trouxe para casa é grande. Mas maior ainda é o que ele carrega para a vida:
– disciplina,
– resiliência,
– fé,
– e a certeza de que esforço vale a pena.
Quando perguntado que conselho daria a outra criança que sonha em competir, ele entrega uma resposta simples, mas poderosa: “Vale muito a pena. Mas tu tem que dar o teu melhor.”

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